Flagrantes de um mundo endoidecido
“É loucura, mas tem um método” (Shakespeare)
● Em campanha política para escolha da nova composição parlamentar na Câmara dos Representantes e no Senado dos Estados Unidos, Donald Trump cometeu o desplante de prometer aos eleitores gratificação de 5 mil dólares, soma equivalente a mais ou menos 25 mil reais, caso seu partido consiga manter maioria nas casas legislativas. Em qualquer outro país do mundo democrático uma proposta desse tipo comportaria, para o autor, alguma sanção legal, não é mesmo assim?
● A movimentação das peças do xadrez na política internacional, traduzindo às vezes soturnas conveniências, costuma espantar os observadores. Vejam esta aqui: pela primeira vez na história alemã do pós-guerra, a direita mais radical, comprometida com as teorias nazistas, vitoriou-se em importante eleição regional. Contou com a simpatia e o apoio dos governos de Moscou e Washington.
● Em novo surto megalômano, não debelado a tempo pelos psiquiatras da Casa Branca, Donald Trump anunciou a disposição de trocar o nome do Estado do Novo México para “Nova América”. Revelou também a intenção de anexar a Lua como província estadunidense, tendo em vista o fato de que foi um astronauta americano o primeiro ser humano a pisar em solo lunar.
● Um bloco de países africanos com assento na ONU submeteu à consideração da Assembleia Geral pleito no sentido da alteração do “mapa-múndi” universalmente adotado. Estribou a reivindicação no fato de que os registros cartográficos atuais, concebidos no auge do colonialismo, retratam incorretamente a realidade. As dimensões territoriais do continente são mostradas de modo bastante reduzido em relação a outras partes do globo. A Groenlândia, por exemplo, é desenhada como maior do que todos os países da África juntos, quando, na verdade, é quatorze vezes menor. E assim por diante. A postulação foi aprovada pela quase totalidade dos membros da ONU. O único voto contrário foi o dos Estados Unidos da era Trump.
● O governo de El Salvador, de estilo iniludivelmente autocrático, declarou-se propenso a permitir que os “cidadãos de bem” do país, possuidores de arma de fogo, possam transportá-las nas ruas, ao estilo “Velho Oeste”. Há quem aplauda, desse mundo endoidecido, o modelo salvadorenho de enfrentamento do crime.
● Aconteceu na infeliz Nicarágua, país da América Central que foi um dia “propriedade” do caudilho Anastásio Somoza e que se tornou, depois , “propriedade” do caudilho Daniel Ortega. Eleição, por ato normativo do governo, é coisa abolida para sempre. Quem cometer a imprudência de discordar da decisão, assinada pelo presidente vitalício e pela vice-presidente, por sinal sua esposa, incorre fatalmente em crime de lesa-pátria.
Enquanto isso, no Oriente Médio, na Ucrânia, no Sudão e noutros rincões…
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