Uma história mineira de cooperação

Estado mineiro foi um dos primeiros do Brasil a investir na representação do cooperativismo
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Uma história mineira de cooperação
Crédito: Reprodução Adobe Stock

Em Minas Gerais, o dia 11 de setembro marca o início de um capítulo importante da história de um setor que hoje representa quase um sexto da economia estadual e emprega mais de 64 mil pessoas. Em 1970, 145 lideranças cooperativistas se reuniram em Belo Horizonte para fundar a Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg) — entidade de representação política, institucional e sindical deste segmento.

Minas foi um dos primeiros Estados brasileiros a investir na representação do cooperativismo. Poucos meses antes da criação da Ocemg, em dezembro de 1969, Belo Horizonte sediou um encontro nacional de representantes do coop que resultou na criação da Organização das Cooperativas Brasileiras, a OCB, com a missão de unificar a representação nacional do setor. A Ocemg defendia o coop em âmbito estadual e teve participação decisiva — junto com a equipe da OCB — na sanção da Lei Geral das Cooperativas (Lei nº 5.764), sancionada em dezembro de 1971.

Esse contexto ajuda a dimensionar o desafio colocado desde o início. A Ocemg não nasceu apenas para representar cooperativas em um ambiente já estabelecido. Nasceu também para ajudar a construir esse ambiente, organizando interesses comuns, fortalecendo a interlocução com o poder público e abrindo caminhos para que organizações de diferentes ramos pudessem crescer e se desenvolver.

Ao longo de 56 anos, a instituição fez o cooperativismo mineiro quintuplicar de tamanho. Hoje, são 788 cooperativas que, juntas, movimentam R$ 184 bilhões e impactam positivamente a vida de três em cada cinco mineiros. Um crescimento que superou duas crises do petróleo, uma hiperinflação, cinco trocas de moeda, a crise financeira de 2008 e, mais recentemente, uma pandemia. Evoluir em meio a tantas transformações exigiu não apenas representação, mas investimento contínuo em formação, gestão e desenvolvimento. Afinal, quanto mais um setor cresce, maior precisa ser sua capacidade de se preparar para o futuro.

De uma pequena sala alugada no centro da Capital a uma entidade com dois prédios próprios — uma sede e um centro de treinamento —, a Ocemg se transformou em uma instituição que reúne mais de 120 colaboradores. E, em breve, inauguraremos um novo espaço, que contará com um centro cultural dedicado a contar essa história.

Temos muito a celebrar, mas também a construir. Uma nova geração começa a chegar às cooperativas, com outras referências, competências e uma relação diferente com a tecnologia e com o mundo. Nossa responsabilidade é prepará-la para conduzir as cooperativas em um ambiente cada vez mais complexo, sem perder de vista a razão de existir desse modelo.

Em 1970, os fundadores da Ocemg entenderam que unir forças era o caminho para construir o futuro do cooperativismo mineiro. Cinquenta e seis anos depois, seguimos com a mesma convicção. É ela que nos trouxe até aqui e que continuará orientando os próximos capítulos dessa história.

Ronaldo Scucato
Sobre o autor

Ronaldo Scucato

Presidente do Sistema Ocemg, entidade representativa das cooperativas de Minas Gerais

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