Artigo

Impostos não quebram empresas

Impostos não quebram empresas
Foto: Reprodução Adobe Stock

No dia 20 de maio, brinquei em uma rede social que tinha chegado o dia de pagar o maior sócio de todo empresário brasileiro: o governo. Tanto lá quanto aqui, eu sei que falar sobre o peso da carga tributária nos negócios é como mexer em um vespeiro. A postagem era muito mais uma brincadeira para lembrar a todos sobre a famigerada data do que um protesto, mas as reações foram tão exacerbadas que achei importante trazer um outro olhar sobre esse tema.

Eu não vou romantizar a realidade: a carga tributária brasileira é pesada, complexa e, muitas vezes, sufocante. Só que, depois de acompanhar tantas empresas de perto, eu aprendi uma coisa importante: na maioria das vezes, o imposto não é o maior problema. O imposto chega para todos. O que muda é como cada empresa se prepara para ele.

O que mais vejo são negócios crescendo sem estrutura. A empresa vende, aumenta equipe, amplia operação, compra equipamento, assume compromissos, mas não constrói gestão junto com esse avanço. O empresário olha para o faturamento e acredita que está prosperando, quando, na prática, não sabe quanto sobra, quanto custa sua operação ou qual é a margem real do negócio.

É nesse ponto que os tributos viram os vilões da história. Não porque aparecem de surpresa, mas porque ninguém organizou a casa para lidar com eles.

Existe uma diferença enorme entre faturar e ter lucro. Parece básico, mas muita empresa ainda mistura conta pessoal com conta empresarial, toma decisões pelo saldo da conta bancária e não pela análise dos números. E, quando chega o dia 20, fica aquela sensação de que o governo “levou tudo”, quando, na verdade, aquele dinheiro nunca foi da empresa. Ele apenas não estava separado.

Eu acredito que gestão financeira é, antes de tudo, maturidade empresarial.

Uma empresa saudável entende seu fluxo de caixa, projeta cenários, acompanha indicadores, conhece seus custos e sabe exatamente qual impacto tributário cada decisão pode gerar. Isso muda completamente a relação com os impostos. O empresário deixa de viver apagando incêndios e começa a construir estratégia.

Outro ponto que me chama atenção é como muitos empresários só procuram ajuda quando já estão no limite. Quando existem dívidas acumuladas, parcelamentos intermináveis, pressão emocional e sensação de fracasso. Mas organização financeira não deveria nascer no desespero. Ela deveria fazer parte da cultura da empresa desde o início.

Eu sempre digo que empresa não quebra de um dia para o outro. Ela vai dando sinais. O atraso no imposto é um deles. O problema no caixa é outro. A falta de previsibilidade também. Só que, muitas vezes, o empreendedor está tão ocupado operando que não consegue enxergar o que os números estão tentando dizer.

E talvez esse seja um dos maiores desafios de quem empreende no Brasil: parar de administrar apenas a urgência e começar, de fato, a administrar o negócio. Porque imposto alto é realidade para todos. Mas gestão ruim é algo que pode ser corrigido.

Quando existe clareza, planejamento e processo, a empresa consegue crescer com mais segurança. Consegue tomar decisões melhores, negociar melhor, investir melhor e até enfrentar crises de forma mais inteligente.

No fim das contas, eu não acredito que empresas fortes sejam aquelas que nunca enfrentam dificuldades. Eu acredito nas empresas que aprendem a se organizar antes que o problema vire uma emergência. E, quase sempre, o imposto é apenas o mensageiro de uma desorganização que já vinha acontecendo há muito tempo.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas