Como o mercado de eventos transforma vidas e cidades
Um erro comum ao se analisar o mercado de eventos é reduzi-lo à ideia de festa. Na prática, o brilho do espetáculo é simplesmente a parte mais visível de uma cadeia capilarizada e com enorme capacidade de gerar emprego e renda, movimentar a economia e impulsionar o desenvolvimento local. O que nem sempre aparece aos olhos do público é justamente o que sustenta o setor.
A atividade movimenta R$ 813,5 bilhões por ano, reúne cerca de 300 mil empresas e gera 12,7 milhões de empregos diretos, terceirizados e temporários. Esses dados, apresentados no III Dimensionamento do Setor de Eventos no Brasil 2024/2025, lançado pela Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc), em parceria com o Sebrae e outras entidades, colocam a atividade entre os grandes motores da economia nacional.
Por trás de cada celebração, congresso, feira, festival ou encontro corporativo, existe uma ampla cadeia produtiva que movimenta turismo, hotelaria, transporte, alimentação, montagem de estruturas, tecnologia, segurança, comunicação, marketing e serviços.
A capacidade de gerar oportunidades que beneficiam desde grandes fornecedores até pequenos empreendedores e trabalhadores informais é algo que torna o mercado de eventos estratégico. Nos últimos anos, além de superar os impactos da pandemia, o setor consolidou um ritmo de expansão superior à média da economia brasileira. Com crescimento superior a 80% no número de empregos formais, o mercado atingiu um novo patamar. No primeiro bimestre de 2026, movimentou mais de R$ 25 bilhões, sustentando o topo de sua série histórica e liderando a geração de postos de trabalho. Esse desempenho reflete uma mudança estrutural: os eventos deixaram de ser pontuais para se tornarem um pilar estratégico da economia da experiência, do turismo de negócios e da atração de investimentos.
Há casos internacionais em que cada valor investido se multiplica por dezenas de vezes na economia local, impulsionando comércio, transporte e hotelaria. Nesse ponto reside um aspecto muitas vezes negligenciado no debate público: por ser intensivo em trabalho, de rápida ativação e alta capacidade de inclusão produtiva, o setor absorve desde profissionais altamente qualificados até novos trabalhadores que ingressam no mercado. Capilaridade e velocidade de geração de emprego são características raras em outros segmentos.
Incentivar esse mercado significa estimular o turismo, alavancar pequenos negócios, dinamizar centros urbanos e criar oportunidades. Em última análise, é reconhecer que o desenvolvimento depende também da economia da experiência, da cultura e dos encontros. Embora o palco seja a vitrine, é nos bastidores que se sustenta a poderosa indústria dos eventos, ainda pouco compreendida no Brasil.
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