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O hino que resistiu: a construção dos símbolos e a formação da identidade nacional

Mais do que um símbolo oficial, o hino nacional brasileiro é resultado de identificação coletiva
O hino que resistiu: a construção dos símbolos e a formação da identidade nacional
Crédito: Adobe Stock

A construção de símbolos nacionais é central na formação dos Estados modernos, especialmente em momentos de ruptura política. Bandeiras, hinos e outros elementos não surgem espontaneamente: são fruto de disputas e projetos que buscam consolidar poder e criar pertencimento.

Ao longo dos séculos XVIII e XIX, processos revolucionários evidenciaram esse fenômeno. A Revolução Francesa é um exemplo clássico. Ao romper com a monarquia, a França criou símbolos que representassem o povo como sujeito político. A bandeira tricolor e a La Marseillaise expressaram a união nacional e o espírito de mobilização coletiva.

No Brasil, o processo foi semelhante. A necessidade de simbolizar o país no nascente Império também se pautou na articulação da bandeira e do hino, que refletiam vínculos com a Europa, ao mesmo tempo em que exaltavam as riquezas e as dimensões do nosso país. O hino de 1831, com música de Francisco Manuel da Silva, já carregava um forte sentimento nacional.

Com a Proclamação da República, surgiu a necessidade de novos símbolos. Um concurso conduzido por Deodoro da Fonseca em 22 de novembro de 1889 escolheu outra composição – de Leopoldo Américo Miguez – para substituir o antigo hino. Mas a mudança não se sustentou. A população e setores influentes resistiram, mantendo viva a melodia associada à independência e às vitórias nacionais.
Sem conseguir impor o novo, o governo recuou: o hino de 1831 foi preservado, enquanto a obra de Leopoldo Américo Miguez tornou-se o Hino da Proclamação da República.

Celebrar o Dia do Hino Nacional – comemorado no dia 13 de abril – é reconhecer esse processo. Mais do que um símbolo oficial, o hino não se resume a uma imposição política, mas é resultado de identificação coletiva. Atravessou regimes, resistiu a mudanças e hoje permanece como uma expressão duradoura da identidade brasileira.

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