Poucas empresas estão prontas para a reforma
A menos de um ano de uma nova etapa da reforma tributária, as empresas brasileiras já entendem melhor as mudanças, mas ainda estão longe de se sentir prontas para colocá-las em prática. É o que mostra o Panorama da Reforma Tributária 2026, pesquisa inédita da Grant Thornton em parceria com a Anefac, que ouviu 115 empresas de diferentes portes e segmentos entre abril e junho deste ano.
Apenas 14% dos respondentes se consideram muito preparados para a implementação da reforma, mesmo com 77% já tendo concluído ou em andamento simulações de impacto. Segundo o levantamento, a discussão deixou de ser só fiscal e já influencia decisões sobre fluxo de caixa, preços, tecnologia, fornecedores, estrutura operacional e estratégia de negócios.
O split payment, mecanismo que recolhe os tributos no momento da liquidação financeira das operações, é um dos pontos de maior atenção: 81% das empresas esperam impacto relevante ou moderado no fluxo de caixa, sendo 36% com efeito muito relevante sobre o capital de giro e 45% com impacto moderado. A mudança tende a reduzir o financiamento natural gerado pelo intervalo entre venda e recolhimento de tributos, aumentando a necessidade de capital de giro e a dependência de crédito.
Para 71% das empresas, a reforma também deve mudar a precificação: 37% preveem revisão completa da estratégia de preços e 34% ajustes pontuais. Fatores como créditos tributários, perfil do cliente e efeitos do split payment passam a pesar na formação de preços. Chama atenção que 22% das empresas ainda nem avaliaram se seus clientes conseguirão recuperar integralmente os tributos das operações. No mapeamento da cadeia de suprimentos, só 19% concluíram a análise dos créditos tributários potenciais, enquanto 45% fazem análises parciais.
Do lado tecnológico, apenas 24% dizem ter sistemas de ERP e tecnologia fiscal plenamente prontos para o novo modelo de IBS e CBS; 63% identificam lacunas relevantes. O cenário se repete nas equipes: só 17% se consideram plenamente preparadas, e 63% vão precisar ampliar programas de capacitação.
Apesar das lacunas, a pesquisa mostra amadurecimento: em 50% das empresas, a reforma já é tratada de forma estratégica, com envolvimento da alta administração e de múltiplas áreas. Outras 25% já contam com participação de áreas além da tributária. Mais da metade (52%) já cogitam revisar planos de negócios ou estruturas, sendo 19% com revisões estratégicas relevantes em análise e 33% considerando ajustes estruturais no médio prazo.
Para os especialistas ouvidos pela pesquisa, o desafio das empresas não está mais em entender as regras, mas em transformar esse conhecimento em decisões concretas: simular impactos, preparar sistemas, revisar preços e fornecedores e envolver a alta liderança desde já.
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