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Preservando o futuro das cidades

Desenvolvimento sustentável das cidades depende de um planejamento urbano eficiente
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Preservando o futuro das cidades
Foto: Reprodução Adobe Stock

O debate sobre sustentabilidade urbana ganhou uma nova dimensão nos últimos anos. A frequência cada vez maior de ondas de calor, enchentes e eventos climáticos extremos trouxe para o centro da discussão uma questão que décadas atrás era restrita aos ambientalistas: como permitir que as cidades continuem crescendo sem ampliar seu impacto ambiental e sem comprometer a qualidade de vida da população.

O desafio é particularmente relevante no Brasil. Segundo o Censo 2022 do IBGE, 87,4% dos brasileiros vivem em áreas urbanas. Isso significa que praticamente nove em cada dez pessoas dependem diretamente das condições oferecidas pelas cidades para trabalhar, estudar, se deslocar e acessar serviços essenciais. A forma como o território urbano é planejado influencia desde a mobilidade até a drenagem das águas da chuva, passando pela disponibilidade de áreas verdes e pela eficiência da infraestrutura pública.

Nesse contexto, os loteamentos planejados exercem uma função importante na construção de cidades mais equilibradas. Diferentemente dos processos de ocupação que ocorrem de maneira fragmentada e sem coordenação, o planejamento prévio permite avaliar características ambientais da área, definir sistemas viários adequados, reservar espaços para equipamentos urbanos e preservar elementos naturais relevantes para a paisagem e para o funcionamento do ecossistema local.

A presença de vegetação e áreas permeáveis é um dos aspectos mais importantes para uma cidade. Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que espaços verdes contribuem para reduzir ilhas de calor, favorecer a infiltração da água no solo e aumentar o bem-estar das pessoas. Diante das mudanças climáticas, essas são características fundamentais da resiliência urbana. E resultam em projetos que, inclusive, eliminam os custos de conserto de áreas ocupadas sem critérios técnicos.

O próprio mercado imobiliário tem acompanhado essa transformação. O relatório de atividades do Green Building Council Brasil, publicado em 2025, registrou um número recorde de novos projetos sustentáveis no país em 2024, refletindo uma demanda crescente por empreendimentos que incorporem soluções relacionadas ao uso racional dos recursos naturais e à eficiência ambiental. Quando incorporados desde a fase de concepção dos empreendimentos, esses princípios produzem resultados que ultrapassam os limites do loteamento, porque preparam a área do entorno para demandas futuras de urbanização e criação de residências.

O desenvolvimento imobiliário e a preservação ambiental costumam ser apresentados como interesses incompatíveis. Mas a experiência de diversas cidades demonstra justamente o contrário. Temos exemplos dentro e fora do Brasil, como Curitiba, Maringá e Londrina, no Paraná, além de Copenhague (Dinamarca), Shenzhen (China) e Singapura. Os melhores resultados surgem quando crescimento econômico, planejamento territorial e responsabilidade ambiental são tratados como partes de uma mesma estratégia.

Tudo indica que as cidades brasileiras continuarão se expandindo nas próximas décadas. A questão central não está em impedir esse processo, mas em definir como ele ocorrerá. Loteamentos planejados representam uma oportunidade de orientar essa expansão com maior eficiência, respeitando as características naturais do território e criando ambientes urbanos capazes de oferecer mais qualidade de vida para as próximas gerações.

Gustavo Amorim
Sobre o autor

Gustavo Amorim

Economista, empresário e presidente da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano de Minas Gerais (AELO-MG).

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