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O tempo das tâmaras chegou

Diversidade exige coragem para rever privilégios e sustentar decisões difíceis
O tempo das tâmaras chegou
Foto: Reprodução Adobe Stock

O futuro não é algo que simplesmente acontece. Ele está em construção e, por isso, as escolhas que fazemos hoje são o único instrumento que temos para moldá-lo. Vivemos um cenário marcado por mudanças profundas e uma velocidade que compromete a reflexão. É por isso que, neste 21 de maio, Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, precisamos ir além da celebração e assumir responsabilidade.

Chegamos a um momento em que o propósito, por si só, não basta. A sociedade exige coerência e quer ver o discurso materializado na prática, com ambientes seguros, vozes plurais e oportunidades reais. A legitimidade se constrói com ação e resultados. No setor mineral, essa agenda é essencial: não existe mineração sustentável sem legitimidade social, e não há legitimidade sem diversidade. Organizações diversas são mais inovadoras, produtivas e preparadas para dialogar com os territórios onde atuam.

Nos últimos anos, a jornada do setor mineral brasileiro mostra evolução. A pauta de diversidade, equidade e inclusão (DE&I) deixou de ser apenas de Recursos Humanos para se tornar estratégica. O papel do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) foi fundamental. Desde 2019, o setor conta com a Carta Compromisso e suas 29 metas ESG, fortalecida em 2025 por um planejamento estratégico. Na Diversibram 2026 – maior evento sobre diversidade, CEOs assinaram um compromisso de DE&I, assumindo responsabilização pelos avanços. A diversidade avançou com mais governança, metas e conexão com a competitividade.

Sempre resgato um antigo ditado árabe: “Quem planta tâmaras, não colhe tâmaras”, pois a árvore levava até 100 anos para dar frutos. Quando um jovem questionou um sábio sobre investir tempo nisso, ele respondeu: “Se todos pensassem assim, ninguém colheria tâmaras”. Essa metáfora sempre me conectou ao legado que deixamos. Mas, ao visitar uma plantação no Egito recentemente, descobri que, com intencionalidade, tecnologia e gestão, hoje é possível colher tâmaras em cinco anos.

Essa descoberta reposiciona nossa relação com a transformação social. Temos o dever de acelerar o futuro. E há evidências de que é possível. Na Samarco, desde o Programa de DE&I em 2022, a participação de mulheres na liderança saltou de 10,4% para 28,9%, e na força de trabalho, de 16,5% para 30,3%. Pessoas negras já são mais de 56% do quadro, com 34,4% na liderança. A representatividade LGBTI+ na liderança cresceu de 0,6% para 2,3%, além da ampliação na inclusão de pessoas com deficiência, com investimentos de mais de R$ 4 milhões em acessibilidade.

O Diagnóstico de Cultura de dezembro de 2025 reafirmou isso: mais de 80% dos empregados reconheceram a diversidade entre os cinco atributos mais importantes da empresa. O tema passou a fazer parte da vivência cotidiana. Esses resultados são fruto de intencionalidade, metas claras e liderança comprometida. São a prova de que é possível encurtar ciclos.

Seguimos honrando quem plantou antes de nós, mas não podemos aceitar que a inclusão seja sempre um projeto para o amanhã. Precisamos garantir acesso, permanência e influência real de grupos invisibilizados. A diversidade exige coragem para rever privilégios e sustentar decisões difíceis.
Neste Dia da Diversidade, proponho um pacto: não vamos esperar décadas, vamos assumir o compromisso de acelerar e colher nossas tâmaras em cinco anos. Porque o futuro mais justo e humano começa a ser cultivado agora.

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