Tudo muito surreal
“Tudo muito espaventoso ‘pru’ meu gosto” ( Fungêncio do Abaeté, Chefe político Triangulino)
O que não anda faltando, no noticiário de cada dia, são lances desconcertantes, compondo enredo de brusco surrealismo.
O “belicista” Trump, perseguindo obstinadamente o sonho de se ver aclamado, mundo afora, como mensageiro da Paz, não perde uma sequer no sentido de impor-se como protagonista central da história. Na celebração dos 250 anos da independência, valeu-se do palanque cívico montado em razão do magno evento não para falar de estadista, porta-voz da maior potência universal, mas para arenga desprovida de humanismo, marcada ainda por virulência ideológica. Ameaçou adversários. Prestigiou os supremacistas brancos, braço político da famigerada KKK. Estes aliados desfilaram com bandeiras dos “Estados Confederados”, numa lembrança amarga dos tempos da Guerra Civil. Ele ainda: grotesco seu comportamento com relação à primeira-ministra da Itália. Inconformado com solidariedade de Meloni ao Papa Leão XIV, alvejado por desabrido ataque verbal, o impetuoso dirigente, com a visível intenção de humilhá-la, disse que ela implorou para posar ao seu lado. Resultado da falta de modos: A Itália não se fez representar na festa da independência.
Na recente reunião da Otan, realizada na Turquia, Donald voltou, despudoradamente, a anunciar disposição de anexar a Groenlândia. Disse isso, com todas as letras, pontos e vírgulas, diante de público composto por dirigentes europeus. Em clima de inocultável mal-estar, o público ouvinte, diante de espanto que correu mundo, permaneceu mudo e quedo que nem penedo.
Noutra furibunda investida antidiplomática, acusou o Canadá de estar prejudicando seu país por causa dos incêndios florestais, afirmando que vai impor sobretaxas para os produtos de lá procedentes. O primeiro-ministro canadense Trudeau redarguiu à altura. Recordou que, há pouco tempo ainda, seu país deslocou enorme contingente de especialistas em combate ao fogo para enfrentar incêndios na Califórnia. Uma maneira diplomática de dizer que Trump é, além de tudo mais, mal-agradecido.
Outra situação desconcertante produzida pelo despreparado personagem está ligada à política racista adotada contra cidadãos de outras nacionalidades. Atuando em moldes que lembram as sinistras S.A. hitleristas, a tropa de choque colocada nas ruas para os expurgos elevou para quase dez o número de pessoas assassinadas. Ainda dentro da perversa política de combate à imigração, Trump deparou-se com decisão da Alta Corte impedindo seu desarvorado propósito de não reconhecer como cidadãos americanos quem nasce nos Estados Unidos tendo estrangeiros como pais. Curioso na história saber que Trump é filho de imigrante, casado com imigrante, o que vingando sua proposta de lei à sua filha seria negada a cidadania americana.
Danado de espaventoso tudo isso!
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