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Opinião

Bipolarização: faz noite no Brasil, mas o sol brilha em Minas Gerais

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Tilden Santiago*

Chegamos ao 2º turno das eleições 2018, coagidos a enfrentar uma “bipolarização” no plano nacional, que não engrandece nosso orgulho de Nação civilizada. A “bipolarização” nos impede de perceber melhor o real, impondo às massas um clima de sujeição a dois projetos, que certamente só geram radicalismos, medo, ódio e rancor no seio do povo. Depois de tanto ouvir “nós e eles”, fica difícil pensar que tal disputa possa levar a população a uma unidade de vida e de ação em tempos de crise. Enganam-se aqueles que acreditam na “bipolarização”, como um mecanismo de conhecer melhor os dois projetos em disputa. É muito mais enriquecedor e pedagógico trabalhar com a diversidade, a pluralidade de projetos do que a “bipolarização” irracional em dois, que já se colocam como donos da verdade absoluta, em busca do poder, inclusive com a visão unilateral divulgada antes de que um é sinônimo de civilização e o outro de barbárie, apesar de andarem ambos num equivocado, enganoso e obscuro método de escolha política. É um contrassenso o que acontece nacionalmente.

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Felizmente em Minas Gerais a sabedoria, mais uma vez, falou mais alto! Nada mais nefasto do que a experiência de bipolarizar PSDB x PT (levando o MDB de carona) na política e administração das Minas e dos Gerais, nos últimos 20 anos. Felizmente montanhesas (es) no primeiro turno rejeitaram e quebraram a dicotomia bipolar, com seus votos surpreendentes levando para a disputa final os candidatos do partido Novo: Romeu Zema e Paulo Brant, homens que não vêm da velha política corrupta, da politicagem, o vice Paulo, exalando mineiridade e sabedoria, até desprezado nas últimas eleições municipais por velhas raposas. Eles vêm do Novo e não das velhas siglas desacreditadas do povo! PSDB, PT e MDB, os maiores responsáveis pela crise no País e em Minas parecem mergulhar no esquecimento e desprezo do povo mineiro.

A política nem sempre nos conduz para a democracia – como reino de paz e bem-estar – para a população. A luta social e a luta política têm sido uma “guerra”. E os partidos, seus exércitos! Do modo como se caminha para o poder, se exerce o poder. Se for guerreando, a guerra continua após as eleições, ou após a conquista do poder pelas armas numa revolução ainda que libertadora.

Só a concepção de hegemonia ensinada por Antonio Gramsci, prisioneiro político italiano, do fundo de sua cela, poderia reverter aquela primeira fatalidade: seria uma hegemonia no poder, com a grandeza de um desprendimento de si mesmo, que permita ao hegemônico, ao reinar, ser fraterno com os aliados e até mesmo saber escutar, apesar de vencedor, a voz dos adversários vencidos, levando em conta também sua opinião.

Isso parece uma utopia, já que a política tem conduzido as nações a dois destinos: primeiro a uma ditadura dominadora como aconteceu no fascismo, nazismo, franquismo, estalinismo e nas ditaduras que sangraram a América Latina, no mínimo sob olhar complacente dos EUA.
O segundo destino, também trágico, é a nação ser conduzida a ter de escolher entre dois males o menor, através da imposição de uma bipolarização forçada, sem fundamentação social, teórica e política da mesma. Ambos – ditadura e “bipolarização” não condizem com a civilização. Ambos levam à barbárie. É o que estamos vivendo neste segundo turno das eleições de 2018. Faz noite no Brasil, mas o sol brilha em Minas Gerais.

A “bipolarização” além de antidemocrática e discriminatória da riqueza do todo, leva ambas as partes para extremismos e radicalizações que não beneficiam em nada a população: o Bolsonarismo e o Lulapetismo. A “bipolarização” só acontece pela incompetência, insensibilidade, superficialidade, falta de ética e nível intelectual de nossos agentes políticos e de nossos partidos enchafurdados na corrupção, sem ideal popular, patriótico e libertador.

Não é à toa que o ex-senador Romero Jucá (“ex” graças a Deus e ao eleitorado de Roraima) proclamava da tribuna do Senado: “ Temos que mudar o governo para estancar a sangria.” Além de temer por sua pele de corrupto, dentro de uma fidelidade de classe, o emedebista buscava desmontar o estado de bem-estar social, inclusive para servir ao grande capital. Agora como derrotado nas urnas não pode mais usufruir do foro privilegiado nem festejar ter conseguido escapar da Lava Jato. Justiçado pelas mãos do povo votando nas urnas!

A “bipolarização” não contribui para uma maior e ampla consciência política. Ao contrário, leva a uma maior rejeição da política, aprofundando o apoliticismo “indignado” de grande parte dos cidadãos e cidadãs brasileiros descontentes com tudo, especialmente com a classe política e dentro dela com o PSDB, PT e MDB – grandes responsáveis pela crise econômica, política, social e ética que o País enfrenta.

Quando a política se isola numa torre de marfim, considerando-se, sozinha, a mais alta esfera da atividade humana, ela perde seu caráter não só de universalidade, mas também de fermento para promover a civilização daqueles que se consideram reis e rainhas da natureza criada. A política deveria saber incorporar as conquistas da filosofia, da tecnologia e da ciência em seus diferentes setores.

A política é importante, responsável principal pela polis que tentamos construir, mas sozinha, ela se torna tirana, reduzida à busca do poder pelo poder, nos levando ou a uma ditadura ou a uma “bipolarização” irracional, que não contribuem em nada para a construção democrática e aprofundamento de nossa liberdade.

Está passando da hora de dona política escutar a ecologia, a filosofia, a pedagogia, a psicanálise (Lacan, Alain Badiou e Jésus Santiago com a palavra), as artes a cultura em geral, as diferentes linhas do pensamento, o saber universal, as diversas espiritualidades. Sem os valores desses luminares da civilização e da história universal a política não passa de uma mera luta e disputa de poder pelo poder.

A ecologia proclama a biodiversidade, como um valor que hipervaloriza uma natureza com milhares de vidas, cuja sustentabilidade defende. Bela lição e alerta para os que cultuam a “bipolarização” de dois projetos como valor primeiro.

Se a espiritualidade, de qualquer origem, penetrasse na mente e no coração dos que ocupam o poder, a paz fundamentada na justiça, o perdão, o arrependimento, a humildade, como sinônimo de verdade, o serviço e a misericórdia emergiriam como fruto da “caridade” – a forma mais ampla de fazer política. Uma política que nos conduza a um Reino dos Homens, sim, mas viveiro de paz, justiça, bem-estar social do povo, de igualdade, liberdade e fraternidade no rumo das estrelas, saudosos da Revolução Francesa.

* Jornalista, Embaixador e Militante

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