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Opinião

Brasil, o celeiro da Covid-19

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Crédito: REUTERS/Amanda Perobelli

 Uma das correntes que explicam a transmissão do vírus no Brasil não é propriamente científica, mas ideológica. É bem verdade que o governo brasileiro sempre agiu em desacordo com a proteção social em relação a essa questão epidemiológica, abrindo a discussão como uma farsa, bem ao estilo do então presidente dos EUA, Donald Trump.

A essência do negacionismo, do simplismo no tratamento através de medicações inócuas, as demonstrações públicas das aglomerações sem máscara, a falta de coordenação do planalto, sempre justificada pela decisão do STF que delegava a governadores e prefeitos o combate à pandemia – o que não é verdade, pois a Corte não eximiu o governo federal de responsabilidade, pelo contrário, reforçou a competência dos Executivos –, fizeram do Brasil preocupação internacional na proliferação de novas variantes ante o descontrole do governo.

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Um fato incontestável é que Bolsonaro sempre apostou que a população não iria aderir às vacinas, pois várias vezes afirmou que jamais a tomaria, e que a economia era, sim, vítima de uma “epidemia fabricada”, em que o vírus era um agente político para promoção de governadores e oposicionistas. E tal pensamento de certa forma acabou impregnado na mente dos negacionistas, grande parte dos seus eleitores, muitos dos quais, diga-se de passagem, já faleceu em virtude da Covid-19.

Diz um ditado alemão que “se há 10 pessoas sentadas numa mesa, um nazista se senta e ninguém levanta, então há 11 nazistas sentados”, e é exatamente nessa linha de pensamento que se pode avaliar a influência exercida por uma corrente ideológica que alimenta a contaminação pelo vírus.

Hoje no Brasil o grande problema são as variantes, o que torna a contaminação e a virulência duplicadas, atacando, portanto, os jovens, ao contrário de outrora, em que eram apenas os mais idosos as vítimas fatais.

A questão de saúde pública é complexa, ainda mais se tratarmos de “lockdown”, uma vez que de nada adianta restaurantes cumprirem as exigências de segurança, se bares, festas, igrejas e aglomerações em geral não o fazem. Aliás, essa é a queixa de determinados setores da economia, e com razão.

Isto posto, resta-nos apenas uma esperança, a vacinação em tempo ágil, o que até agora não demonstra que pode ocorrer, já que o governo não acompanha a produção e a compra destas no mesmo ritmo das contaminações. Para constatar o terrível desprezo por quase 300.000 mortes, atualmente cerca de 2.000 mortes por dia, nada melhor e mais triste do que uma frase de Jair Bolsonaro em relação a essa tragédia dita esta semana: “Chega de frescura e mimimi. Vão chorar até quando?”. Pobre Brasil, um país que realmente não é para principiantes. Prova disso é o logístico General Pazuello…

Assim, enquanto a tristeza e o abandono nos empurram às lágrimas, grandes infectologistas e países oferecem seu apoio, talvez para enxugar o choro doído dos desamparados…

*Advogado, jornalista, mestre em Direitos Fundamentais ([email protected])
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