Crédito: Divulgação/ACMinas

Aguinaldo Diniz Filho*

Este ano, pelo que dou notícia, foi a primeira vez em que não aconteceu em nossa cidade o tradicional desfile de Sete de Setembro, com a população em peso na avenida Afonso Pena mostrando o seu amor à Pátria. A crise sanitária trazida pela Covid-19, que catalisou inúmeras outras crises, infelizmente, não o permitiu.

São inúmeros os desafios que temos pela frente. Na área da saúde, enfrentamos os efeitos da disseminação do coronavírus, que nos últimos dias parece ter arrefecido ligeiramente, mas, a menos que se consiga uma vacina realmente eficaz (o que não parece ainda estar no horizonte deste ano), continuará ceifando vidas preciosas – até o dia 12 deste mês de setembro, o número de casos no Brasil ultrapassava os 4,33 milhões, com pouco mais de 131 mil mortes, segundo as estatísticas oficiais.

Na economia, precisamos enfrentar o desafio de lidar com a perspectiva imediata de um  PIB negativo projetado em 10,1% (a meu ver ainda subestimada), com a provável extinção, ainda neste ano, de quase 10 milhões de postos de trabalho (quase 15% da população economicamente ativa), atingindo indiretamente o triplo deste número com os seus efeitos. No campo social, a situação de extrema pobreza, que atingiu níveis inéditos, precisa ser combatida, não somente com projetos ou atitudes assistenciais, mas por estímulos, oficiais ou não, à geração de ocupação e renda.

E, na política, melhor seriam menos palavras e mais ações efetivas. Nesta área há, sem dúvida, vozes como a do presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia, cuja indiscutível liderança e racionalidade têm sido imprescindíveis para amainar ânimos exacerbados ou simplesmente oportunistas e direcionar as ações da Casa para o enfrentamento da crise.

É diante de tempos difíceis como estes que precisamos ter sempre em mente, em todas as nossas atitudes, o espírito do Sete de Setembro de 1822, data do nascimento do Brasil como nação e símbolo-maior da consolidação do sentimento de brasilidade, palavra que bem define nosso caráter tão peculiar: o temperamento ameno (mas inflexível), a nossa capacidade de superação, a nossa cultura tão própria.

É este o sentimento que precisa nos conduzir nesta premente necessidade de reformas, que sempre venho reiterando. Mas de reformas profundas, capazes de reverter nossas inúmeras mazelas sociais, como o desemprego, a saúde pública, a pobreza. Enfim, esta conjuntura fortemente negativa que atravessamos. É preciso que estejamos todos juntos no enfrentamento deste terrível contexto. Só juntos, unidos, seremos capazes de superar tantas adversidades.

Este sentimento de união pôde, ainda que simbolicamente, manifestar-se na Semana da Pátria. O civismo foi o seu catalisador. Ainda que de maneira necessariamente diversa daquela que é habitual, todo brasileiro, estou certo, pôde comemorar a data – cada um à sua maneira, claro, mas com o mesmo amor, com o mesmo civismo, a mesma garra que é uma de nossas marcas.

O fato é que não podemos esmorecer diante dos tantos obstáculos que estão em nossos caminhos. Eles passarão, com certeza, e esta confiança no Brasil e nos brasileiros foi manifestada simbolicamente pela Associação Comercial e Empresarial de Minas: durante toda a Semana da Pátria, quem passasse pela avenida Afonso Pena, defronte à nossa sede, certamente não deixaria de nela notar uma grande bandeira brasileira desfraldada. Era a nossa homenagem ao nosso Brasil, o verde-amarelo simbolizando um sentimento que é de todos nós: o de enorme patriotismo, de inabalável amor à Pátria, ao Brasil de prosperidade e êxito que queremos e que certamente emergirá desta crise.

*Presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas