Plano Geral

Werner Herzog e o novo cinema alemão

Saiba como o diretor desafiou o cinema conservador da Alemanha, criando novas narrativas cinematográficas
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Nas décadas de 1940 a 1950 houve um enorme hiato no cinema alemão.

Condenado a uma certa estagnação artística, esse cinema ainda seguia um padrão moralista e conservador, que por sua vez, seguia à risca as diretrizes do Estado, com filmes característicos da cultura germânica.

À época, a predileção do público era para assuntos leves e descompromissados, preferindo ignorar a padronização do cinema, bem como os temas do presente e os traumas de uma guerra recentemente encerrada.

O distanciamento de uma perspectiva crítica desse cinema do pós-guerra, levou Werner Herzog juntamente com Rainer Fassbinder e Win Wenders (o famoso triunvirato de diretores germânicos) a formar o chamado Novo Cinema Alemão.

No começo da década de 1960, esses diretores assinam o Manifesto de Oberhausen. A declaração tinha como objetivo fundamental, recriar a cinematografia alemã.

Um dos mais proeminentes diretores desse movimento foi justamente Werner Herzog.

O cineasta passou uma infância financeiramente estéril na Baviera. Estudou Literatura e História nos Estados Unidos através de uma bolsa de estudos. Aos dezessete anos fez uma tentativa frustrada de rodar um filme sobre a reforma penitenciária nacional. No ano seguinte, foi ao Sudão durante a crise política do Congo. Viajou o mundo e fez filmes onde esteve. Trabalhou para a TV com documentários além de dirigir óperas.

Escreveu poemas publicados na renomada revista Akzente e publicou os roteiros de todos os seus filmes.

A predominância de sua cinematografia é a estética do delírio gótico, a exemplo de O Enigma de Kaspar Hauser (1974), uma obra que discute os cruéis mecanismos de adaptação da sociedade com Bruno S. no papel central, e que na vida real foi filho não desejado de mãe prostituta e que passou a maior parte de sua vida em hospitais psiquiátricos; A Cólera dos Deuses (1972) sobre a expedição liderada pelo espanhol Pizarro à Amazônia na busca da mítica cidade de Eldorado; um filme tão hipnótico quanto perturbador rodado do lado peruano da Amazônia com um Klaus Kinski no papel do atormentado Aguirre; e finalmente, Nosferatu – O Vampiro da Noite (1979), que é a refilmagem do clássico Expressionista de 1922 dirigido pelo reputado Frederich Murnau.

Nessa obra, Herzog elimina os contornos Expressionistas do original: a iluminação chiaroescuro, os cenários distorcidos e a exteriorização das agruras existenciais.

Em Os Anões Também Começaram Pequenos (1970), o diretor versa basicamente sobre a instauração de uma revolta popular de anões dentro de uma instituição comandada pela mão-de-ferro de um outro anão com pinta de déspota.

O tema da sujeição e do desprezo do homem para com o homem, é de certa forma o carro-chefe de grande parte do que circunda sua obra; seja no vampiro esquecido pela eternidade em Nosferatu; no homem-cobaia Kaspar Hauser, ou na insanidade solitária e primitiva do conquistador espanhol Don Lope de Aguirre em A Cólera dos Deuses.

Conteúdos publicados no espaço Opinião não refletem necessariamente o pensamento e linha editorial do DIÁRIO DO COMÉRCIO, sendo de total responsabilidade dos/das autores/as as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Sobre o autor

Thiago Barcellos

Cineasta, crítico de cinema e mestre em artes. Pesquisa o cinema a partir das narrativas audiovisuais e de suas construções estéticas e afetivas, com foco na linguagem e na experiência do olhar.


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