Vinho da Casa

Democratizar o vinho é abrir caminhos para novos consumidores

Fundador e CEO da Eno Cultura, Thiago Mendes aborda as preferências dos brasileiros
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O universo do vinho, assim como quase tudo na vida, tem muitas correntes. Da forma de cultivo das uvas ao serviço de taças em restaurantes, há opiniões para todos os gostos. E é maravilhoso ouvir diferentes pontos de vista, ainda mais no fim de semana em que vamos às urnas. É tempo de festa da democracia. E, do meu lado, sou pela democratização do vinho. Acredito que ele pode estar em qualquer lugar, sem frescura.

Foi com esse espírito que entrevistei o DipWSET, fundador e CEO da Eno Cultura, escola criada em São Paulo, em 2013, Thiago Mendes. Foi o primeiro centro autorizado a oferecer o WSET Diploma no Brasil e na América do Sul. A certificadora britânica é uma das principais referências do setor. Este ano, a escola comemora a distinção Highly Commended nas três categorias na primeira edição do Excellence in Education Awards.

“O universo do vinho utiliza-se de muitos jargões, formalidades e “techniques” desnecessários, normalmente utilizando-os sem explicação prévia ou contextualização”, afirma Thiago Mendes, para quem todo esse palavrório confuso pode afastar o iniciante. É preciso traduzir o universo de forma simples.

Descomplicar o consumo. Até porque o brasileiro, segundo ele, está aberto a novas experiências. Ao contrário dos ingleses e americanos, que tendem a ser mais tradicionais em seus hábitos, o brasileiro demonstra curiosidade por novas uvas, regiões e países. Essa disposição se reflete na diversidade de rótulos no mercado nacional.

Ainda assim, Thiago Mendes aponta as preferências nacionais bem definidas. Em geral, o brasileiro busca vinhos tintos de corpo médio a encorpado, com boa intensidade de sabor, características que podem vir tanto das uvas quanto do estágio em barricas de carvalho ou da presença de açúcar residual. Malbec e Carménère são exemplos de variedades que costumam atender a esse perfil.

“Existe uma quantidade considerável de conhecimento gratuito na internet, além de eventos com preços acessíveis para quem quer conhecer e experimentar vinhos. Entretanto, a elitização é uma etapa natural observada em mercados nos quais a cultura do vinho ainda está em desenvolvimento, e isso pode atrapalhar o crescimento. À medida que ampliamos o consumo, o conhecimento também se expande”, diz.

A formação profissional é outro ponto importante nessa discussão. Para Mendes, a capacitação precisa fazer parte de uma estratégia ampla, que envolva importadores, produtores e associações de bares e restaurantes.

E o vinho brasileiro, tem espaço no mercado internacional?

“Qualitativamente, sim! O Brasil oferece diversidade regional e climática, variedade de uvas e estilos, além de vinhos de qualidade em diferentes faixas de preço, comparáveis aos de tradicionais produtores. Nosso desafio na competição internacional está na carga tributária e na baixa produção. Se conseguirmos minimizar esses obstáculos, tenho certeza de que ampliaremos nossa presença no mercado global”, afirma.

Que assim seja! E viva a democracia!

Conteúdos publicados no espaço Opinião não refletem necessariamente o pensamento e linha editorial do DIÁRIO DO COMÉRCIO, sendo de total responsabilidade dos/das autores/as as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Sobre o autor

Marcelle Justo

Jornalista especialista em vinhos. Tem a certificação inglesa Wine & Spirit Education Trust (WSet 2); fez a formação profissional da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-Rio) e cursou Introdução à Enologia no Senac-Rio.


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