©Basso Cannarsa/Opale/Leemage

Tilden Santiago*

Esse é um segundo artigo, para revelar aos leitores do DIÁRIO DO COMÉRCIO o perfil intelectual e militante de Edgar Morin, um judeu-francês, pensador mergulhado nas águas da Filosofia, História, Direito, Geografia, Antropologia, Sociologia, Epistemologia, Semiologia, Psicologia, Educação e Comunicação.

Aos 99 anos completados em 08/07/2020, é um intelectual profeta, que prenuncia uma renovação da Humanidade, passando pela superação de uma visão ingênua do conhecimento, que tenha como fundamento, uma Ciência fragmentada em campos isolados, impedindo a captação do todo fruto do avanço de todos os campos científicos, convergindo para alcançar o real, que não está preso a esta ou aquela especialidade científica.

No momento em que no Brasil homens públicos ingênuos se vangloriam de ter suas decisões sanitárias e posições fundamentadas na certeza da Ciência, emerge a figura desse guru intelectual, num nível bem acima de Olavo de Carvalho, o astrólogo, para lembrar que a certeza da Ciência, como se pensava no século passado, é uma ilusão. A Ciência só avança se superar o mito dogmático da certeza científica, canto de sereia que embalou a intelectualidade do século XX.

A Ciência é humana, fruto de um elan vital, que só vislumbra novos horizontes, quando se posiciona numa busca permanente do âmago do real, pouco importando em qual especialidade ela opera.

Para Edgar Morin, em vez de certeza científica de cada especialidade, elas deveriam se unir para, com o potencial de sua diversidade, elucidar o objeto de conhecimento dos homens e mulheres, hoje angustiados e/ou indignados com a possibilidade da barbárie, no lugar da civilização, da guerra nuclear entre nações obcecadas de poder pelo poder, inclusive no espaço, no lugar da paz, castigados pela desigualdade sistêmica dos agentes produtores da riqueza ligados ao Capital, ao dinheiro ou à força de trabalho e ameaçadas pelo caos ecológico, capaz de erradicar a vida da face da Terra.

Todas essas ideias aqui colocadas foram apresentadas em videoconferência, promovida pelo Sesc de São Paulo, com merecidos aplausos a seu diretor-presidente, Danilo Santos de Miranda, e sua assessora para Assuntos Internacionais, Heloisa Pisani, âncora do debate, estando Edgar Morin em Paris e o presidente do Sesc em São Paulo.

Na videoconferência de domingo passado, Morin discursou sobre essas mudanças no âmbito do conhecimento científico e filosófico, verdadeiro divisor de águas do progresso humano, que para fazer avançar a História deve começar por um realismo com relação a sua capacidade de conhecer e o devido esforço para superar os limites de nosso intelecto finito, temporal caducando na medida que a História avança, criado e de essência relativa e não absoluta.

Esse escriba escreve esta contribuição à editoria de Opinião do DIÁRIO DO COMÉRCIO relembrando a figura de seu fundador, o visionário cidadão e jornalista José Costa. Lá das estrelas, ele, empresário que optou por militar nas entidades de classe, deve se inclinar e participar espiritualmente desta belíssima iniciativa do Sesc São Paulo.

É fundamental junto com a defesa dos interesses classistas, promover o avanço da Ciência e da Cultura, no caso aprofundando o pensamento de Edgar Morin, o Indignado de 90 anos.

*Jornalista, embaixador e sacerdote itinerante (com colaboração de Fátima Sampaio, filósofa e educadora ambiental)