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Crédito: REUTERS/Kevin Lamarque

Embora na qualidade de comandante-em-chefe tenha o dedo no gatilho do – ainda – maior arsenal militar do mundo, além de, na sua mesa de trabalho, o tal telefone vermelho que lhe permite desencadear um ataque nuclear, o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, é também uma figura singular e de pouco, ou quase nenhum crédito.

Exceção, claro, ao presidente brasileiro, que não esconde sua admiração pelo presidente norte-americano, que vê como modelo a ser permanentemente copiado, o considera amigo do país, amigo e amigo de seus filhos, estes últimos de presença a cada dia que passa mais controvertida na cena brasileira.

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Do lado de cá, ao Sul do Rio Grande como se dizia antigamente, o governo local parece enxergar em Washington aliados incondicionais e modelo. O slogan da campanha eleitoral de Trump – America first – parece ser só propaganda.

Exemplos a respeito não faltam, mas, para ficar apenas no mais recente e provavelmente até agora o mais importante de todos, poderíamos apontar as respectivas visões sobre a pandemia da coronavírus. Para Trump, algo sem importância, talvez até uma malévola invenção dos chineses, para Bolsonaro não mais que uma “gripezinha” que um remédio receitado por Trump liquidaria.

Todos sabemos o que veio depois. Os Estados Unidos são o país mais afetado e mais devastado, contando, tristemente, até agora, 57 mil mortes e mais de um milhão de casos, num processo de notificação que também é considerado duvidoso.

Nada disso impediu Trump de, mais uma vez, mirar sua metralhadora no Brasil para dizer que o nosso País está se dando mal, enfrenta “praticamente um surto” e poderá ser alvo de restrições a voos para seu país. Tudo isso ao lado do governador da Florida, que tem nos brasileiros os melhores clientes para suas atrações.

Trump parece ter ciclo tímico, disse na mesma ocasião que é amigo de Bolsonaro, mas faltou acrescentar que “amigos, amigos, negócios à parte”, sempre deixando no ar que esperar favores ou concessões é rematada tolice. São fatos novos em meio a turbulências que já sobram.

Diante delas, o mínimo a esperar é um pouco mais de cautela, senão deslumbramento. Ou, pragmaticamente, fazer como o próprio Trump, que, no início de seu governo e num rasgo de sinceridade, lembrou que os demais países, todos eles, deveriam ter – e praticar – a sua versão do America first.

Talvez, em todo esse tempo e já se aproximando das eleições para um segundo mandato, tenha sido o único conselho a aproveitar do atual presidente dos Estados Unidos.

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