REUTERS/Ueslei Marcelino

A Bolsa, que faz pouco tempo chegou aos 100 mil pontos e festejou o marco como indicativo de que a economia estava recobrando fôlego, entrou numa curva descendente, oposta a que registra o comportamento do câmbio.

Não são bons sinais, evidentemente, indicando que o mercado, que festejou a eleição do novo governo apostando que haveria agilidade no encaminhamento de reformas capazes de destravar a economia, e num rumo ultraliberal, já não parece tão animado.

Na realidade seria mais próprio dizer que houve uma inversão, provocada sobretudo pela maneira como foi encaminhada e vem sendo discutida a questão da reforma da Previdência.

Um assunto que era apontado como central, prioridade entre as prioridades, na prática parece estar em segundo plano e, conforme tem sido dito, vai sendo desidratada para reforçar alianças na mesma proporção em que o trilhão de reais sonhados pelo ministro da Economia vai ficando mais distante.

Nesse ambiente de constantes sobressaltos, como ainda há pouco, quando diante dos números apresentados, o presidente da República questionou a metodologia aplicada pelo IBGE para monitorar o comportamento da economia, o mercado perde a previsibilidade, justamente um de seus insumos mais relevantes.

Como foi lembrado recentemente neste espaço, no âmbito externo igualmente prevalecem motivos para preocupação, como as tensões entre Estados Unidos e China, seus reflexos na demanda das duas maiores economias do planeta e no comércio mundial ou as incertezas geradas na Europa pelo chamado Brexit, que os austeros britânicos conseguiram transformar quase numa comédia pastelão.

Voltando ao que nos está mais próximo, a lentidão de movimentos na esfera pública, mesmo com todos concordando, de boca para fora pelo menos, que é preciso agir e mudar a rota, chega a ser patética, passados três meses desde a posse do novo governo.

Pior, as tensões entre Executivo e Legislativo, com momentos muito próximos de um indesejável confronto, não arrefecem, apesar das declarações em contrário e da disposição do ministro Paulo Guedes de assumir um papel quase de articulador político, o que não parece não estar no seu rol de competências ou preferências.

Nada a estranhar, portanto, que o desemprego volte a assombrar 13 milhões de brasileiros ou que a previsão de crescimento para a indústria no corrente mês seja zero, contra apenas 0,4% no bimestre anterior.

Estamos andando em círculo, perdendo um tempo que não poderia ser perdido, tendo em conta o teor das previsões com relação à postergação do ajuste fiscal, uma promessa que vai ficando velha sem que nada aconteça.