Crédito: Roberto Samora/Reuters

A Fundação João Pinheiro (FJP) aponta queda de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) mineiro no primeiro trimestre do ano, de 1,8% na comparação com o trimestre passado e de 0,9% se comparado aos 12 meses anteriores.

Chama atenção que apenas 1/6 das 12 semanas consideradas foi afetada pelas medidas de distanciamento social, indicando, portanto, outras causas que não a pandemia como prevalentes para os resultados apurados.

Sugere, ou mais que isso, ao mesmo tempo, que os dados relativos ao segundo trimestre do ano apresentarão resultados bem mais amargos, aí sim afetados diretamente pelo ataque do Covid-19.

Mas as informações apresentadas agora não são apenas e necessariamente ruins, com o setor agrícola mais uma vez exibindo números exuberantes e funcionando – e não apenas no Estado – como uma espécie de contrapeso sem o qual o balanço geral seria ainda pior.

A mesma fonte registra que nos três primeiros meses de 2020 o agronegócio mineiro cresceu 10% em relação a igual período do ano anterior, 6,7% se a comparação for apenas com o quarto trimestre do ano passado, registrando, porém, queda de 1,4% considerados os últimos doze meses.

Variação positiva nos preços e aumento na demanda explicam os bons resultados colhidos, com participação decisiva, segundo as avaliações da Fundação, para a cultura de soja.

Embora apostar no futuro, seja em que direção for, represente um exercício de alto risco, quase impossível hoje, existem razões para se acreditar que mesmo com o planeta em recessão a demanda por alimentos continuará positiva.

No caso brasileiro, existem bons motivos para acreditar que as tensões comerciais entre Estados Unidos e China tendem a favorecer o comércio brasileiro de commodities, tanto grãos quanto proteínas animais, mercado que também permanece aquecido.

O único risco estaria na hipótese de algum desalinhamento com a China, resultante de tropeços no espaço da diplomacia local.

Para concluir, é preciso ressaltar que os números mais uma vez no Brasil pendem, positivamente, para o agronegócio, que contrariando a tendência geral ao encolhimento, bate a cada ano seus próprios recordes de produção, de alguma forma ajudando a manter de pé a economia do País.

E não se pode registrar esse fato sem apontar se houvesse melhor suporte às atividades no campo, onde contamos com vantagens competitivas virtualmente únicas, poderíamos e estaríamos fazendo muito mais, com benefícios diretos para a economia e repercussões sociais, como a descompressão dos grandes espaços urbanos, também altamente positivas.