Crédito: Isac Nobrega

A rigor não há o que acrescentar ao muito que já foi dito sobre os danos provocados pelo rompimento da barragem de rejeitos em uma das minas da Vale em Brumadinho.

Não há o que relevar na hipótese de ter havido algum tipo de omissão no que tange à segurança, principalmente considerando a extensão das perdas humanas, para as quais não há reparação possível.

Não se pode, por outro lado – e como já foi assinalado neste espaço – deixar de perceber a importância da mineração para a economia estadual, em que justamente o minério de ferro aparece como item de maior peso na composição das exportações e a Vale como maior produtora.

Não se trata de reclamar concessões ou de relevar qualquer hipótese de risco à segurança, que permanece em primeiro plano, conforme assinalou em recentes declarações a este jornal o presidente da Federação das Indústrias de Minas, Flávio Roscoe.

Trata-se de não permitir que a tragédia ganhe proporções ainda maiores a partir de decisões precipitadas ou emocionais que podem pôr em risco as atividades da mineradora, numa reação em cadeia que afetaria dramaticamente a economia do Estado.

Por exemplo, em pouco tempo siderúrgicas como a Usiminas poderiam parar por falta de matéria-prima, o que significaria uma reação em cadeia capaz de atingir em cheio a indústria automotiva.

No extremo, mas numa conta realista, perdas de faturamento entre R$ 21 bilhões e R$ 35 bilhões e pelo menos 800 mil postos de trabalho apagados, com queda real de 7,3% no PIB industrial, que de uma previsão de expansão de 3,3% este ano já espera queda de 3%.

É preciso entender mais claramente as dimensões da questão e a verdadeira natureza dos desafios que estão colocados, não permitindo que a emoção ocupe os espaços da razão, do conjunto de interesses que estão em jogo e evidentemente não dizem respeito apenas à empresa que está no centro das atenções.

A situação é complexa e grave, mas é preciso ter em conta todas as variáveis e a clara ameaça de que o tecido econômico de Minas Gerais seja ferido de morte, assinala o presidente da Federação das Indústrias.

O que envolve risco, mesmo que remoto, não está em consideração, faz questão de lembrar o empresário, mas está claro que em parte das atividades suspensas não existem riscos, se não o da própria inatividade, uma situação que, a persistir, pode transformar a tragédia de Brumadinho em calamidade, com implicações que inclusive não serão contidas dentro das divisas do Estado.

Nesse contexto de tantas apreensões, questões que serão levadas à Agência Nacional de Mineração pela Fiemg na próxima semana representa algum alívio a notícia de que foram retomadas as atividades no complexo de Brucutu, hoje a principal operação da Vale no Estado.