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Opinião

EDITORIAL | Dando volta em círculos

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Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

Visto em perspectiva, a redemocratização do País, nos anos 80 do século passado e depois de duas décadas de regime de exceção, foi na realidade, e mais uma vez, um processo de arranjo e acomodação. A derrota da campanha das diretas, que reclamava o mais óbvio do processo democrático, ainda assim derrotada e a escolha, ainda indireta, de Tancredo Neves, não podem deixar ao historiador grandes dúvidas a respeito.

Daí a precariedade e a instabilidade do novo regime que, fossem outras as condições, deveria começar por uma reforma política que seria na realidade uma espécie de faxina, destinada a eliminar, sobretudo, os aproveitadores que, como crustáceos, se agarram ao regime militar, muito colaborando para ajudar a produzir a falsa ideia de “normalidade” do regime que chegou ao fim por conta de seu completo esgotamento.

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Os militares saíram de cena ou pelo menos perderam o protagonismo mantido nos anos anteriores, mas seus acólitos civis permaneceram, um deles, por ironia do destino, para ocupar a Presidência da República com a morte de Tancredo Neves. Mais um arranjo, ou pior. O presidente eleito não chegou a tomar posse, consequentemente seu vice, que desembarcara da “revolução” às vésperas, também não. Nada que não pudesse ser atropelado, como de fato foi, desnudando a verdadeira natureza da redemocratização. Um enredo canhestro que ajuda a explicar tudo que veio depois.

Tudo em nome de uma transição pacífica, sem conflitos, sob garantia de que correções e mudanças necessárias viriam na sequência, com a convocação de uma Assembleia Constituinte, seguida das reformas necessárias, começando pela política. São fatos que devem ser recordados, trazidos a lume a propósito das mudanças que a Câmara dos Deputados acaba de introduzir no sistema político-eleitoral, tentando passar a ideia de que está realizando a tão aguardada reforma política, matéria que agora passará ao crivo do Senado.

Mais uma vez arranjo e acomodação para servir aos personagens de sempre, ou a seus filhos e netos, comprovando-se a tese de que o Estado brasileiro foi transformado numa espécie de latifúndio. Houvesse seriedade e bons propósitos, fundamentados no compromisso maior, e haveria, quando menos, mais discussões e debates, fundados em objetivos claros, conhecidos e convergentes. Nada, em resumo, do que aconteceu e está  acontecendo, adiando mais uma vez as esperanças de que o Brasil e os brasileiros possam afinal encontrar a trilha que os conduza ao futuro que nunca chega.

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