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EDITORIAL | Falar menos e fazer mais

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Foto: Marcos Corrêa/PR

O discurso do presidente Jair Bolsonaro para a abertura da assembleia anual da Organização das Nações Unidas deu o que falar. Houve quem considerasse que ele foi mais moderado, sua coragem foi elogiada em círculos mais próximos, e não faltaram críticas, principalmente quando ele disse ser o Brasil o país que melhor cuida do meio ambiente. Uma questão de estilo que já não merece maiores comentários, tendo em conta que não faltam exageros de parte a parte.

Meio ambiente é assunto de extrema importância e, nele, a Amazônia, que continua no centro das atenções, tem evidente destaque. Pena que o tema tenha sido politizado, virou bandeira e em parte seu foco foi perdido, enquanto a “direita” é capaz, ao mesmo tempo, de defender a venda de tudo que puder ser vendido, Petrobras e Banco do Brasil, inclusive, mas subitamente se transformou em defensora da soberania brasileira sobre a região. E com muita razão, é bom que se diga, mesmo que por motivos absolutamente incoerentes.

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O interesse pela Amazônia, na perspectiva histórica, não é novo e não é generoso. Ao contrário. No reinado de D. Pedro II, alguém nos Estados Unidos sustentou, com aliados, que o rio Amazonas deveria ser a fronteira natural de seu país. D. Pedro, esperto, tratou de criar uma companhia de navegação para marcar terreno. Mais recentemente, primeiro com a falsa ideia de que a floresta seria o pulmão do mundo, discutiu-se abertamente a internacionalização da área. Nada muito diferente das discussões atuais, agora acompanhadas de ameaças de boicote ao agronegócio brasileiro.

Isto não é assunto de direita ou de esquerda, é, deveria ser, assunto e preocupação de todos os brasileiros. Do presidente da República e de alguns de seus auxiliares próximos, que, no entanto – e literalmente -, apenas põem lenha na fogueira. Falta o elementar entendimento que exercer soberania sobre a Amazônia impõe obrigações, principalmente a de protegê-la e não estamos pensando apenas na floresta, assim como não enxergamos como inimigos apenas aqueles que ocupam, desmatam e põem fogo.

Muito menos podemos aceitar, sozinhos, sermos apontados como os vilões irresponsáveis dessa história, enquanto estrangeiros, europeus principalmente, tentam vender uma imagem quase santificada, como se fosse possível esquecer o seu passado. Não seria suficiente lembrar-lhes o destino das populações nativas americanas, mexicanas ou sul-americanas?

Cuidar do assunto requer, de nossa parte, muito mais do que está sendo feito, mas requer também que não se permita que a Amazônia seja transformada em bandeira de extremistas, não importa de que lado estejam.

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