EDITORIAL | Futuro não tem dono

30 de maio de 2019

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Presidente dos EUA voltou a falar em deixar organização - Crédito: Kevin Lamarque / Reuters

Contam os estudiosos que o planeta se aproxima de uma nova revolução tecnológica a partir da implantação e utilização da tecnologia 5G, ou internet e telefonia de alta velocidade, associada ao aumento também da capacidade de processamento de informações. Uma revolução, dizem, sem precedentes por sua intensidade e implicações, afetando a vida, o trabalho e a produção como jamais aconteceu. Mudanças que estão relativamente próximas e acontecerão num terreno em que os maiores avanços estão acontecendo a partir de uma empresa chinesa, a Huawei, segunda maior fabricante de celulares do planeta e que está voltando ao mercado brasileiro. A medida da importância do que acontece e está por acontecer pode ser dada pela decisão do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, de tentar bloquear os avanços da empresa chinesa, impedindo que ela realize negócios no seu país e, mais recentemente, para surpresa geral, tentando impedir que empresas como a Google continuem na lista de fornecedores da Huawei.

O controvertido Trump pode ser acusado de muita coisa, menos de incoerência. Ele fez campanha e conquistou votos prometendo fazer seu país protagonista planetário e enxergando inimigos em tantos quantos pudessem ameaçar esta escalada em qualquer esfera. Que ninguém se esqueça, America First, princípio que parece justificar qualquer coisa. A China, já bem perto de se tornar a maior economia do mundo, evidentemente se tornou uma espécie de alvo preferencial, agora também por conta de seus avanços no campo tecnológico, caso da gigante das telecomunicações e sua espantosa velocidade de crescimento. Mas se a ofensiva de Trump é uma espécie de exibição de força talvez anacrônica, é também um sinal de sua fragilidade. Mantida a decisão comentada, a própria Google seria dramaticamente afetada, muito provavelmente perdendo o gigantesco mercado asiático, e os chineses poderiam contra-atacar, por exemplo, deixando de produzir os Iphones que ajudam a sustentar a norte-americana Apple.

Melhor entender, diante de tudo isso, que Donald Trump mais uma vez não irá além das bravatas, pelo menos quando tem diante de si antagonistas tão poderosos. De qualquer forma, o episódio comentado serve para demonstrar sua falta de medidas, como se existisse algum mandato divino determinando que desenvolvimento tecnológico e outras coisas só podem acontecer a partir dos Estados Unidos e deveria ter, sobretudo para os mais fracos, um sentido de alerta. Ao mesmo tempo um desafio, também em escala global, para que não seja aceito o monopólio do conhecimento e, consequentemente, do desenvolvimento tecnológico, fazendo crescer a dependência e o abismo entre ricos e pobres. Questões que, na perspectiva brasileira, podem parecer muito distantes, mas que na realidade são também determinantes para o seu futuro com autonomia e prosperidade.

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