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Opinião

EDITORIAL | Incômoda dependência

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Crédito: REUTERS/Nacho Doce

A produção de veículos leves no País somou, no mês de outubro, 177,9 mil unidades ou 24,8% a menos que em igual período do ano passado. Segundo os dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foi o pior resultado para o mês nos últimos cinco anos e, talvez pela primeira vez, um problema de oferta, não exatamente de demanda, situação que não acontece apenas no Brasil e resultado do desabastecimento de semicondutores e matérias-primas diversas. Para resumir, mais um efeito adverso da pandemia, de um lado pela quebra na produção, hoje concentrada na Ásia, de outro pelo aumento da demanda de eletrônicos, de telefones celulares a televisores, situação que deve perdurar pelo menos no primeiro semestre do próximo ano.

Nas contas da Anfavea, que não arrisca previsões sobre o retorno à normalidade, nos dez primeiros meses do ano houve incremento de 16,7% na produção, mais uma vez na comparação com igual período de 2020, e é possível que a produção acumulada no ano cresça entre 6% e 10%. A nível global, as estimativas atuais são de que deixarão de ser produzidos, até o final do mês de dezembro, entre 10 e 12 milhões de veículos, volume que poderá ser reduzido à metade no ano seguinte. São perdas que necessariamente conduzem a reflexões sobre as distorções provocadas pela concentração da produção industrial, deslocada da América do Norte e da Europa para a Ásia. No caso específico, a pequenina Taiwan responde por mais da metade da produção global.

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Quanto ao Brasil, cabe lembrar que a sua dependência só não é total porque uma pequena fábrica opera no Rio Grande do Sul e, por mais absurdo que possa parecer, nesse exato momento suas atividades encontram-se sob risco devido a exigências que vêm do plano federal. A própria Anfavea se deu conta da fragilidade de seus associados quando a eletrônica embarcada ganha espaços crescentes nos produtos ofertados. E reclama exatamente a sua nacionalização, com programas específicos de incentivos, cabendo lembrar a fracassada instalação da Transit em Montes Claros, no final do século passado e, mais recentemente, a fábrica que deveria ser implantada em Ribeirão das Neves, mas, como a Transit, esbarrou naquilo que bem poderíamos chamar de “forças ocultas”.

O caso dos automóveis chama mais atenção, com as filas de espera nas concessionárias podendo chegar a seis meses ou mais, mas o problema evidentemente é bem mais amplo, sendo absolutamente incompreensível que até agora as áreas responsáveis pela economia e pelo fomento industrial não tenham dito uma única palavra a respeito.

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