Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Não custa lembrar, a estas alturas, que o que está ruim sempre pode ficar pior. O Brasil vem se debatendo, faz tempo, com uma situação de virtual estagnação da economia, convive agora com a pandemia provocada pelo coronavírus e, como consequência, com a economia voltando a andar em marcha a ré, tudo fazendo crer que o ano terminará com uma queda do Produto Interno Bruto que rondará os 5%, talvez mais e o déficit público passando dos R$ 500 bilhões.

Para completar, como se já não tivéssemos problemas de sobra, dois ministros perdem seus cargos, nas pastas da Saúde e da Justiça. O primeiro, Henrique Mandetta, ganhou popularidade por conta de sua assertiva política de combate à pandemia e o segundo, Sérgio Moro, também de popularidade superior à do presidente da República, foi fritado por conta de interesses que aparentemente não tem nada de republicanos. Saiu atirando, fazendo gravíssimas acusações já sob investigação da Polícia Federal por ordem expressa do Supremo Tribunal Federal (STF).

Parece muito, mas está longe de ser o fim da história e nos ventos do Planalto Central correm rumores de que o próximo a cair pode ser o ministro da Economia, Paulo Guedes, mais um dos contemplados com boas avaliações públicas. Nesse caso, pelo que já transpirou, por conta de intrigas palacianas, alimentadas por visões diferentes quanto aos mais adequados remédios, ou fortificantes, para a combalida economia brasileira e para um futuro marcado por incertezas que bem podem ser qualificadas como as maiores desde o século passado.

Como está dito na abertura desse comentário, o que está ruim pode ficar pior, com a gestão pública sem uma visão clara das proporções do abismo que está sendo cavado, desagregando e alimentando conflitos quando, por óbvio, deveria fazer exatamente o contrário.

Eis porque o presidente da Associação Comercial de Minas, Aguinaldo Diniz, chama atenção para a gravidade da situação e sustenta, certamente refletindo o sentimento de seus pares, que o momento requer a mobilização de todos os brasileiros, sua força e sua determinação, com o firme sentimento de que mudanças positivas virão somente com união, serenidade e tolerância, além de muito discernimento, pré-requisitos para que se possa enfrentar as dificuldades atuais bem como aquelas que estão pela frente, ao que tudo faz crer ainda maiores.

Tudo isso e mais a tarefa, adiante, vencida da pandemia, de criar condições para a retomada da economia, a partir do próximo ano, se possível sem a polarização que hoje também nos imobiliza.