Atividade do setor industrial tem o melhor resultado para janeiro em quatro anos
Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

Nas circunstâncias que se apresentam pode até fazer sentido a decisão do governo federal de reduzir à metade, por três meses, entre abril e junho, a contribuição das empresas ao chamado Sistema S. Será um alívio de R$ 2,2 bilhões para os contribuintes compulsórios, mas à custa de mais perdas para instituições tão relevantes quanto o Sesi, Senai, Senar e Sebrae, diretamente responsáveis pela qualificação profissional de milhões de trabalhadores ao longo de mais de cinquenta anos e reconhecidos como uma das mais exitosas ações desse tipo em todo o mundo.

Que seja de fato um corte apenas temporário e que inclusive não de perca de vista que, mesmo na injunção atual, o Sistema tem condições e instrumentos para ajudar diretamente na alavancagem da economia, passada a borrasca da coronavírus.

Oportunidade também para ficar entendido, de uma vez por todas, que o Sistema S é privado, mantido por contribuições de empresas, sem nenhum recurso público. E concebido ao final da Segunda Guerra Mundial, quando o então presidente Getúlio Vargas, empenhado em promover a industrialização do País, deu-se conta de que não haveria mão de obra qualificada para a tarefa, confiando-a aos empresários, a partir da indústria, para montar e operar todo o Sistema, ao qual com o tempo foram sendo agregadas outras atividades, como a agricultura e o setor de transportes.

Erros foram cometidos, não há por que duvidar ou tentar varrê-los para debaixo de algum tapete. Com orçamentos bilionários, excessos e até desvios chegaram a ser cometidos. Por bem ou por mal, tudo na esfera privada, sendo falsa a ideia largamente difundida de que seria mais um caso de malversação de fundos públicos.

Se existem erros a corrigir ou culpas a expiar, este é um assunto privado, tanto quanto o retumbante sucesso colhido em todos esses anos, do que resultou uma estrutura muito bem montada, imprescindível também no contexto das mudanças que vêm ocorrendo no mercado de trabalho, por conta da introdução de novas tecnologias. Só para ficar num único exemplo, não haveria indústria automobilística no País sem os programas de qualificação e treinamento concebidos e realizados pelo Senai.

Da mesma forma, é possível antecipar que não haverá futuro, entendido como um momento de inovação, criatividade e gestão eficiente, sem o concurso dessas entidades que, num ambiente mais inteligente estariam sendo louvadas pelos seus feitos, ocupando um espaço que, sim, deveria brotar e ser sustentado a partir da esfera pública, e não apenas cobiçadas pelos recursos que movimentam.