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O coronavírus, inimigo invisível, mas poderoso, capaz de matar mais de 30 mil brasileiros em pouco mais de dois meses, número que só não foi muito maior por conta da quarentena, tem pela frente um horizonte de absoluta imprevisibilidade.

Se as formas como o corpo humano é atacado são ainda desconhecidas, da mesma forma não é sabido, não com o rigor necessário, como contra-atacar. A rigor, existe apenas a expectativa de uma vacina que, se produzida, testada e aprovada, poderia ser produzida em larga escala e aplicada dentro de, numa hipótese conservadora, um ano.

Para resumir, nada que tenha sido visto antes nos tempos modernos, provocando um dano colateral igualmente severo. Estamos falando do impacto na economia, que, segundo estimativas do Banco Mundial (Bird) e Fundo Monetário Internacional (FMI) reserva ao planeta nos próximos meses a maior recessão desde a crise de 1929.

O Brasil, como já foi dito, está neste contexto e em posição desvantajosa, sendo estimado que sofra mais e demore mais para se recuperar. E não se trata de um mero jogo especulativo, de projeções moldadas por conveniências. Ao contrário, trata-se de uma realidade que já pode ser enxergada.

Por exemplo, o número de desempregados, que ao final do mês de abril somava 12,8 milhões de pessoas, chegando aos 12,8%. O total de negócios encerrados igualmente assusta, enquanto espera-se que até o final do ano os pedidos de recuperação judicial poderão somar 5 mil, número que só não será maior porque a maior parte dos pequenos negócios não tem condições para arcar com os custos de um processo dessa natureza.

Pequenos e médios negócios que, segundo dados do IBGE, representam 87% das atividades econômicas no País. Desse quadro, que só não é ainda mais dramático porque mais uma vez o agronegócio se mantém num patamar positivo e de expansão, resultam as expectativas que o ano que começou com previsões de crescimento de ate 3% terminará com uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) entre 4% e 6%, podendo ir além.

São dados da realidade, mas persiste a impressão de que nas esferas públicas e no meio político não existe ainda plena consciência com relação ao tamanho dos desafios que nos aguardam ou da responsabilidade daqueles que deveriam estar na linha de frente. Uma situação totalmente nova e que por certo demanda urgentemente mudanças de atitude, a começar da convergência de propósitos, elencadas as prioridades que por enquanto ou inexistem ou são demasiado abstratas. Ou invisíveis como o coronavírus que aos poucos vai deixando o mundo de joelhos.