Crédito: REUTERS/Sergio Moraes


No limite de sua capacidade de resistência, depois de dois meses paradas ou com atividades drasticamente reduzidas, empresas brasileiras, sobretudo as de pequeno porte, cobram da administração federal mais consistência e maior agilidade nas suas decisões.

Para muitos empresários, aqueles que apontam por exemplo que dos R$ 40 bilhões comprometidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com o financiamento de folhas de pagamento, apenas R$ 1,7 bilhão chegou aos destinatários até agora, fica a impressão que este é o retrato do comportamento predominante.

Gente que não se dá conta das reais implicações da virtual paralisação de setores como o têxtil e de confecções, o que implica na asfixia de 150 mil pontos de vendas, conforme aponta a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). O setor estima que precisaria, imediatamente, de pelo menos R$ 20 bilhões apenas para atender suas necessidades de capital de giro.

Um exemplo tomado entre muitos que estão em igual ou pior situação, como revendas de autoveículos ou a cadeia de turismo, aí incluídos serviços de alimentação, hotelaria e transportes, além de todo o comércio varejista.

Não será por outro motivo que estudos divulgados esta semana pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que sete em cada dez empresas brasileiras relatam perda de faturamento, com inadimplência e cancelamento de pedidos, tendo como consequência a redução ou paralisação da produção.

Pelo menos 15% dos entrevistados relatam corte de pessoal, 59% apontam dificuldades para cumprir obrigações correntes enquanto 55% cobram melhores condições de acesso ao crédito. Para estas empresas, a correção de rumos, se vier, terá que romper paradigmas, num processo de reconstrução que demandará mobilização e inovação, além da agilidade que ainda não se fez notar.

O que definitivamente não produzirá os resultados necessários será manter intocado o sistema em que o acesso ao crédito só é garantido a quem for capaz de comprovar que não precisa dele.

Fato é que se hoje o quadro é aquele que a CNI enxergou através da pesquisa, a falta de reação na escala necessária combinada com as incertezas que persistem por conta da pandemia e até a falta de estratégias para contornar e vencer crise dessas proporções, torna-se evidente que as perdas serão potencializadas, podendo chegar a um nível de colapso.

Ameaça real e diante da qual não resta ao conjunto da sociedade – empresários, trabalhadores e políticos – outra hipótese que não simplesmente reação que reflita a exata compreensão da realidade.