A economia parece estar reagindo melhor do que se esperava, a recuperação também poderá vir mais depressa do que era esperado. São bons sinais, claro, mas é o próprio ministro da Economia que se encarrega de lembrar do outro lado da moeda. Aquele que mostra um Estado tecnicamente falido, tendo como opções ou promover a recuperação fiscal ou aguardar o colapso.

Entre a teoria e a prática existem os interesses em jogo, principalmente aqueles que não aceitam perder e tem como fazer com que sua vontade prevaleça. Eis porque não prosperam os tantas vezes prometidos cortes “na própria carne”, protegendo os que estão no topo da pirâmide, enquanto para a base reserva-se a promessa de deixar de corrigir o salário mínimo e aposentadorias pelo menos pela inflação.

Mudar a receita nesses termos, em nome até do bom senso, por enquanto pode estar fora do alcance do possível, mas ainda assim existem caminhos melhores. Deles, aliás, nos falava, quando ainda candidato, o hoje presidente da República, prometendo simplificar e desburocratizar, dando mais racionalidade aos gastos públicos e, com toda certeza, reduzindo-os num marcha mais próxima do necessário.

Paulo Guedes, o ministro da Economia, reforçava o discurso, chegando a afirmar que nas condições que se apresentam não é possível cortar impostos, apontando como alívio imediato a simplificação do sistema, facilitando a sua gestão nas duas pontas.

A reforma prometida ficou em alguns remendos, as atenções passaram para a reforma administrativa, que igualmente se arrasta sem produzir resultados na velocidade requerida. E tudo isso nos remete  à recém-publicada notícia de que o Estado brasileiro gasta R$ 6 para cada despesa de R$ 4 na compra de bens e serviços de pequeno valor.

Tentando explicar o que parece inexplicável, as contas são da Controladoria Geral da União (CGU) que, depois de examinar 142 mil contratos de baixo valor, verificou que despesas de R$ 463 milhões na realidade tiveram um custo de R$ 624 milhões. Eis o custo da burocracia, que começa pela comprovação da necessidade da despesa, passando na sequência pela análise e aprovação para então chegar a pesquisas de preços e quantidades. Computados tempo, pessoal mobilizado e horas de trabalho, cada processo tem custo médio de R$ 4,4 mil.

“O cúmulo da ineficiência é fazer eficientemente um trabalho que não precisa ser feito”, resume o coordenador-geral de auditoria da CGU, dando um recado que precisa muito ser escutado.