Crédito: ANTONIO CRUZ / AGÊNCIA BRASIL

Salim Mattar, um dos fundadores da Localiza, retornou a Belo Horizonte depois de pouco mais de um ano em Brasília, onde ocupou a secretaria especial de Desestatização e Desburocratização, com status de ministro. Discreto como convém, mas sem nenhuma boa razão para esconder sua frustração de não ter podido colaborar para a definição de um norte para o País. Nas entrelinhas, foi o que disse em recente palestra na Associação Comercial de Minas, acrescentando que teve oportunidade de conhecer as entranhas do governo e com mais propriedade poder repetir que a sociedade não suporta mais financiar um Estado tão pesado quanto o brasileiro.

As posições do vitorioso empresário são bem conhecidas e anteriores a sua passagem pelo governo. “Não falta dinheiro, falta inteligência governamental na alocação de recursos públicos”, resume para em seguida voltar a defender as reformas tributária, administrativa e a política, acompanhadas de um novo pacto federativo, ressaltando que a administrativa começou “manca” aos preservar os tais direitos adquiridos, que na realidade são “privilégios adquiridos”. E tudo esbarra, evidentemente, nos grupos que se nutrem dessa situação, “um tanto de corporações oportunistas que em certo momento conjugam dos mesmos interesses”.

Em outra ocasião, então falando para um grupo de altos executivos na Fundação Dom Cabral, Mattar disse entender que as corporações apontadas se apoderaram do Estado brasileiro e que as mudanças não acontecem porque contrariam os interesses desses grupos. Verdade absoluta e que levam ao entendimento das forças que bloqueiam a reforma política, necessariamente o ponto de partida para mudanças que deem um rumo diferente, e melhor, ao Brasil. Para resumir, algo que exige novo roteiro e novos atores, dispostos a reescrever a história.

Este o sentido do convite da Associação Comercial de Minas ao propor a mobilização de toda a sociedade num pacto de defesa das reformas estruturais no País, para demolição das barreiras que foram sendo criadas para impedir, ou dificultar, o pleno exercício da cidadania. E na mesma proporção facilitar a consolidação do poder e da influência das corporações que se distanciam cada vez mais do interesse público, de um projeto que seja do Brasil e para os brasileiros, promovendo desenvolvimento com justiça social, como defende o lema da centenária entidade.

É possível, é necessário e é de extrema urgência, mas só acontecerá se as forcas forem convergentes, se prevalecerem ideais e não mais ambições.