A pandemia provocada pelo coronavírus está evoluindo no Brasil com alguns aspectos diferenciados, na comparação com o acontecido na Europa e, tudo faz crer, não apenas por conta de diferenças geográficas e climáticas.

Estatísticas comprovam a afirmação, quando se verifica, por exemplo, que as curvas de contaminação e mortes permanecem ascendentes por mais tempo, amplificando temores e a própria imprevisibilidade, além da certeza, compartilhada por algumas autoridades médicas, de que o pior ainda não chegou.

E tudo isso tendo em conta que o número de fatalidades em todo o País já ultrapassou a barreira de mil ao dia.

E crescem nas mesmas proporções as preocupações com a virtual paralisação das atividades econômicas, que já perdura por mais de 70 dias e só em Belo Horizonte, segundo relato do presidente da Associação Comercial de Minas, Aguinaldo Diniz Filho, já extinguiu 20 mil postos de trabalho, numa conta que nem de longe pode ser dada como fechada.

Claramente, uma progressão igualmente alarmante, mesmo com o conforto de sabermos que as condições locais e no Estado são bem melhores que a média nacional.

Como bem observa o presidente da ACMinas, não sabemos ainda o que vem pela frente no que toca à saúde pública. Sobre a economia, a grande e urgente questão é determinar por quanto tempo o País terá condições de financiar a imobilidade e sem que o empobrecimento coletivo promova, mais que um retrocesso, uma situação incontrolável de instabilidade.

Para o empresário, e nesse ponto refletindo sentimentos que são comuns à maioria de seus pares, não podemos ficar eternamente parados, sendo impositivo pensar numa retomada “moderada e paulatina”, com plena consciência de que já está ocorrendo uma ruptura e que todos terão que mudar diante da necessidade de reinvenção do setor econômico.

Chamar atenção para a realidade tal como ela se apresenta, e num contexto que não permite comparações com qualquer evento pretérito, é fundamental para o conhecimento que induza ações que somente serão eficazes se igualmente estiverem fora dos padrões até aqui universalmente aceitos.

Com toda certeza será preciso fazer diferente, com racionalidade e flexibilidade, sem que se imponha aos agentes econômicos privados, trabalhadores e empresários, encargos que eles não terão meios para suportar.

Um processo inescapável, não temos dúvidas, e cujo êxito dependerá também de um Estado mais leve, definitivamente livre das deformações que já não se pode sustentar.