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Opinião

EDITORIAL | Suicídio coletivo

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Crédito: REUTERS/Eva Plevier

A capacidade do homem de acumular conhecimento e desenvolver tecnologias sempre mais sofisticadas multiplicou igualmente a capacidade de produção e, na ponta, acumular riquezas. Deveria ser uma círculo virtuoso, culminando com melhores condições de vida para todos, algo no entanto longe de ter acontecido. A mera observação nos confirma a realidade, assim como dados relativos aos acontecimentos, no campo da economia, considerado o período a partir de março de 2020, quando foi decretada a pandemia. Desde então, no mundo inteiro, vidas perdidas são contadas às centenas de milhares, enquanto são registradas perdas na economia, decorrentes da redução ou paralisação da produção, com escalada também da redução da oferta de trabalho.

Resumido a estes registros, que são os mais constantes, o quadro não estará completo, fica faltando registrar o absurdo dos absurdos, a maior das evidências de que a ordem econômica, cujo equilíbrio seria a melhor sustentação do mercado e da própria ordem política fundada na democracia e em oportunidades iguais para todos, foi destruída, perdeu o sentido consumida pela ambição de poucos. Vamos aos fatos: contando o tempo a partir de março de 2020, de lá para cá um novo bilionário surgiu a cada 26 horas enquanto as fortunas dos dez homens mais ricos do mundo mais que dobraram de tamanho, com ganhos US$ 15 mil por segundo. Esta pequena elite, estimada em 2.755 indivíduos, viu suas fortunas crescer mais nestes 2 anos que nos 14 anos anteriores. Ao mesmo tempo a renda de 99% da população global caiu no período.

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Com todo conhecimento, com toda informação espanta que os líderes mundiais não se deem conta de que não há como sustentar indefinidamente concentração de renda nestas proporções, onde o Brasil, na sua própria escala, não fugiu à regra. No País, estimativas das mesmas fontes, são de que existam 55 bilionários, donos de uma fortuna que chega a U$ 176 bilhões, sendo 10 deles novatos, integrantes há menos de dois anos desse clube. Na outra ponta, em dezembro de 2020, estimava-se em 55% o percentual da população em situação de insegurança alimentar, sendo 19 milhões em situação de fome, numa regressão aos níveis de 2004.

Cabe ler e rever estes números, entender sua evolução para que seja possível traçar a rota que temos pela frente. E que mudar a direção não seja necessariamente um ato de generosidade, se não a mera compreensão de que estamos todos mergulhando em algo comparável a um suicídio coletivo.

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