O Brasil termina a semana de luto, ainda chocado com os acontecimentos na Escola Raul Brasil, em Suzano, São Paulo, onde o ataque de dois jovens resultou nas mortes de cinco estudantes e dois funcionários da escola. Antes do ataque, os dois jovens, um deles menor de idade, assassinaram o tio de um deles, comerciante na cidade. É cedo ainda para que se possa compreender a motivação do ataque e toda a patologia que o cerca. Certas são as evidências de que a violência aumenta, ganha proporções que pareciam distantes e está alarmantemente próxima, talvez condicionadas por distorções como a sua própria banalização, proporcionada principalmente por jogos eletrônicos e a disseminação que a internet oferece ingredientes, todos eles, aparentemente presentes nos acontecimentos de Suzano, em que os atacantes invadiram a escola armados até com uma besta.

Tudo isso lembrando evidentemente acontecimentos nos Estados Unidos, onde nos últimos anos ataques a escolas se repetem aos milhares, são quase diários e já produziram perto de duas mil vítimas, entre mortos e feridos. Para muitos estudiosos, a violência cresce de proporções alimentada, ou facilitada, pelo acesso indiscriminado a armas de fogo, naquele país tido como decorrência do direito à defesa, preceito constitucional alimentado e defendido pelos interesses econômicos da indústria de armas. Não por acaso, entre 23 nações com os melhores indicadores econômicos e sociais no planeta, os Estados Unidos concentram cerca de 80% dos crimes em que armas de fogo são utilizadas. Ideias evidentemente bastante equivocadas, mas que ultimamente são defendidas no Brasil, com fundamento na presunção da liberdade e do direito a defesa que, exercido, ajudaria a conter a criminalidade. Estudos bem fundamentados ensinam o contrário e evidências nessa mesma direção estão presentes nos acontecimentos em Suzano.

Daí a preocupações com algumas reações diante do noticiário da última quinta-feira, repetindo sempre a ideia de que se houvesse acesso a armas, as vítimas – apenas adolescentes! – poderiam se defender ou seriam defendidos por seus professores. A mecânica desse raciocínio, presente em altos círculos da administração federal, se seguida à risca, muito provavelmente não faria mais que aumentar o número de vítimas. Não faz sentido e ao mesmo tempo sugere que o Estado estaria propondo justamente terceirizar uma de suas principais responsabilidades, que é a de propiciar segurança a todos os cidadãos.

Só se pode esperar que o luto, a tristeza e o medo, tragam de volta a racionalidade, fazendo prevalecer valores que com certeza são predominantes entre os brasileiros.