Tentações a descartar

A reforma do Supremo Tribunal Federal (STF) é um tema central nas eleições
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Tentações a descartar
Foto: Wallace Martins / STF

Existe, nos planos de governo dos dois candidatos que no próximo domingo (25) estarão concorrendo à Presidência da República, pelo menos um ponto em comum. Ambos concordam, ou pelo menos assim se manifestaram publicamente, em que é preciso – e urgente – reformar o Supremo Tribunal Federal (STF) num esforço para devolver à instância máxima do Judiciário mais que funcionalidade, credibilidade. O assunto, e por conta de questões que tem merecido grandes espaços no noticiário, merece ampla atenção. E não faltando promessas de uma verdadeira faxina, com possíveis cassações, garantidas, conforme entendimento hoje bastante comum, pelas forças à direita e majoritárias no Legislativo a partir do próximo ano.

Pesquisas de opinião apontam no mesmo rumo, concordando que é preciso fixar mandatos para os ministros, além de acabar com decisões monocráticas fazendo prevalecer a ideia de que o STF é um colegiado que não pode e não deve atuar fora dessa condição. Existem diferenças de ponto de vista, entre esquerda e direita, apenas nos detalhes, prevalecendo no geral curiosa sincronia que repete o virtual empate técnico entre os dois candidatos conforme as pesquisas divulgadas.

Desconfianças alimentadas também pelos sentimentos da parcela da população que, por exemplo, não aceitou, ou não assimilou bem, as condenações por conta de participação e envolvimento nos acontecimentos que culminaram em 8 de janeiro de 2023 com invasão e depredação das sedes dos poderes da República em Brasília. E ganharam proporções incontornáveis de indignação a partir da divulgação do envolvimento de diversos ministros com os malfeitos patrocinados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Forçoso concordar que são fatos de gravidade extrema, mais que suficientes para correção que deve ter precisão cirúrgica, além de profundidade suficiente para extirpar todo e qualquer foco de contaminação. Motivos também mais que suficientes para recomendar aos responsáveis pela questão que saibam resistir às tentações do imediatismo, da superficialidade e da acomodação , tão comuns e tão constantes na vida política do País. Nada de improvisar, nada de acomodar, conforme conveniências e arranjos de ocasião, igualmente bastante comuns em circunstâncias equivalentes.

O ideal, na realidade, e para além de qualquer tentativa de mera vendeta é que a abordagem afinal se dê num contexto bem mais amplo, no ambiente da reforma política que acabou varrida para o esquecimento, questão que está na raiz dos problemas que o País enfrenta presentemente. E assim abrindo portas também para as reformas estruturais que nos devolvam a perspectiva de futuro.

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