Editorial

Nos trilhos do futuro

Avanço nos estudos para expansão do metrô reacende esperanças após décadas de promessas frustradas
Nos trilhos do futuro
Foto: Diário do Comércio/ Juliana Sodré

Se é verdade, como dizem, que gato escaldado tem medo até de água fria, no dito popular pode estar melhor explicações para as reações contidas, na realidade quase imperceptíveis, diante do anúncio da contratação, junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de financiamento para estudos relativos ao projeto de expansão do metrô de Belo Horizonte. Tudo para possibilitar adiante a construção das linhas 3 e 4, precisamente aquela que passará pela região da Savassi e chegará ao hipercentro.

Estamos falando de obras que deveriam estar prontas e em condições de uso pelos torcedores que estariam na cidade para assistir à Copa do Mundo de Futebol em 2014. Poderíamos estar falando também da linha que chegaria ao Mineirão, projetos que ainda não estão nem mesmo no papel, tornando mais penosa a espera que já dura décadas. O anúncio que acaba de ser feito de qualquer forma representa um passo à frente, movimento que renova esperanças de que pode não estar muito distante o momento em que moradores de Belo Horizonte efetivamente poderão contar com um sistema de transporte de massa com capilaridade bastante para cobrir e interligar os pontos de maior movimento, fazendo-se a peça mais importante em toda a engrenagem da mobilidade urbana.

É justo portanto que sejam reclamadas mais informações, detalhes sobre o traçado das novas linhas, sobre as estações a serem construídas, sobre a interligação das linhas e capacidade final de todo o sistema. Justo saber também quais são pelo menos as estimativas acerca dos prazos de construção e assim quando, tão precisamente quanto possível, as novas linhas estarão em condições operacionais. Gato escaldado, cansado da espera e das seguidas frustrações, quer saber, sobretudo, porque tem ciência de que as condições de mobilidade na cidade e região metropolitana prosseguem abaixo do aceitável. Por conta de promessas repetidas ao longo do tempo, requentadas em inúmeras ocasiões, mas ainda assim postas de lado.

Cabe manter o otimismo, cabe continuar acreditando que o melhor afinal poderá ser feito, sendo este o momento para os aplausos mais fortes, para as comemorações que por enquanto seriam intempestivas. Pelo que está sendo feito, pelo que for entregue, mas, sobretudo, pela visão de futuro que continua faltando. Para que se possa imaginar, e num futuro que não seja muito distante, mais linhas cortando o centro, trilhos seguindo em direção ao Aeroporto de Confins e cobrindo de fato a região metropolitana. Um sistema integrado como deve ser, pronto para atender a demanda em crescimento.

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