Editorial

A vitória do atraso

Impasse judicial ameaça comprometer o Rodoanel, uma obra estratégica para Belo Horizonte e a região metropolitana
A vitória do atraso
Foto: Reprodução DER-MG

As obras de construção do Rodoanel de Belo Horizonte, que deveriam ter sido iniciadas no ano passado e para as quais já existem recursos disponíveis, poderão ser abandonadas caso não sejam superados os impasses judiciais ainda sem solução. Conforme sabido, o Rodoanel, considerado o mais ambicioso projeto de infraestrutura no Estado, será custeado por recursos do Acordo de Reparação de Brumadinho e complementados com investimento da concessionária do trecho de pouco mais de 70 quilômetros de extensão. Tudo, no entanto, na dependência de decisão judicial, em resposta a demanda da Federação das Comunidades Quilombolas que alega impactos severos em seis territórios.

Diante do impasse, que poderá ter manifestação final da Justiça nas próximas semanas, o governador Mateus Simões afirma que já se examina a possibilidade de redirecionar os recursos do acordo com a mineradora Vale para outras obras de interesse, dentre elas a expansão do metrô de Belo Horizonte. Uma decisão que pode fazer sentido em termos práticos, mas que também seria para toda a Região Metropolitana de Belo Horizonte prejuízo irreparável.

Com investimento total estimado em R$ 5 bilhões, o Rodoanel deveria estar em construção desde outubro passado, o que não aconteceu por conta de entraves no licenciamento ambiental, demandas judiciais e desacordos com relação ao traçado. Além dos benefícios diretos por conta das melhorias na mobilidade, estudos de viabilidade econômica indicam que o empreendimento teria grande potencial para atração de investimentos no eixo metropolitano, além da consolidação dos já existentes, o que significa objetivamente que poderia elevar entre 7% e 13% o Produto Interno Bruto (PIB) da região, com crescimento da produção entre 8% e 1,3% ao longo de 10 anos, além de gerar durante a construção 10 mil empregos.

São argumentos mais que suficientes para levar ao entendimento de que não há como retroceder, não há como renunciar à concretização de antigo sonho ou aceitar que obra de tamanha envergadura, com recursos assegurados para ser levada adiante, o que também não é nada comum, seja abandonada, ou inviabilizada, por questões que certamente não dizem respeito ao interesse comum.

Assim, cabe esperar que a Justiça seja sensível aos interesses que estão em jogo, saiba avaliar a precisa dimensão do Rodoanel para toda a Região Metropolitana de Belo Horizonte, para Minas Gerais e, simplesmente, decida em favor do progresso e do interesse da maioria.

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