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Fora de controle

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Crédito: Pixabay

“O mais urgente, nesta hora, é a preservação da vida”. (Pronunciamento da CNBB, ABI, SBPC, OAB e outras entidades)

Não resta a mais tênue dúvida. A pandemia ficou fora de controle. As macabras estatísticas trazidas a público pelo consórcio de órgãos de divulgação, colhidas em fontes oficiais, deixam esse fato em exuberante evidência. O mesmo há que dizer das atordoantes imagens do caos reinante nos postos de atendimento a pacientes. Está desafortunadamente confirmada a sombria previsão de colapso do sistema da assistência médico-hospitalar, feita de há muito por infectologistas, profissionais de políticas públicas, agentes de saúde da linha de frente do combate ao vírus.

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Para que ocorresse esse desastrado estado de coisas contribuiu significativamente, não se pode negar, o ineficiente esquema de gestão adotado pelos governantes, a começar pela clamorosa falta de planejamento nas ações desencadeadas. Os setores investidos da responsabilidade institucional de conduzir o combate ao flagelo deram provas reiteradas de inação em momentos críticos, que clamavam por soluções imediatas. Fizeram-se frequentes os atos e manifestações impróprios, improducentes, na denominada linha negacionista, em colisão frontal com os conceitos, as recomendações do conhecimento científico consolidado, de reconhecimento universal.  A acumulação de desacertos nas estratégias aplicadas, a ausência de uma coordenação nacional firme e resoluta no enfrentamento da tormentosa questão, a falta de disposição para reformulação, a curto prazo, dos métodos equivocados de atuação, criou ambiência propicia para o inconformismo generalizado que se estabeleceu, à volta do perturbador assunto, nos diferentes segmentos da sociedade.

O “pacto pela vida e pelo Brasil”, recentemente lançado, reflete esse posicionamento crítico assumido pela opinião pública. No palpitante documento a Conferência Nacional dos Bispos de Brasil, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a Associação Brasileira de Imprensa, a Associação Brasileira de Ciências, a Ordem dos Advogado do Brasil e a Comunidade Cardeal Arns afirmam, de forma peremptória que o negacionismo mata, deixa sequelas em vítimas que sobrevivem à contaminação. Enfatizam que é notória a ineficácia do governo no enfrentamento da tragédia que atravessamos e que isso exige alterações viscerais no complexo processo de confrontação da pandemia. Sustentam, ao mesmo tempo, o entendimento de que a preservação de vidas é o que há de mais urgente a ser feito na presente conjuntura.

Proclamam, por outro lado, que o vírus não será dissipado com discursos raivosos e frases ofensivas. Reivindicam, ainda, que todos os brasileiros sejam vacinados o quanto antes, que o Ministério da Saúde cumpra exemplarmente seu papel, atuando como indutor eficiente das políticas de saúde em nível nacional. Solicitam do Congresso que estabeleça prioridade absoluta ao assunto em sua agenda. Outro registro destacado no documento diz respeito à fixação de um “auxílio emergencial digno e pelo tempo que se faça necessário, para salvar vidas preciosas”.

No tocante à atividade jornalística, os signatários do pronunciamento exprimem o desejo de que as informações sejam transmitidas com plena liberdade e com absoluta confiabilidade, estribadas na orientação científica.  

No fecho, as entidades formulam ardente apelo à juventude brasileira para que assuma o seu protagonismo na defesa da vida esforçando-se ao máximo no atendimento às recomendações ditadas pela Ciência, inclusive no que concerne à desconstrução do negacionismo.

É relevante anotar que o mesmo curso de raciocínio vem norteando outros numerosos pronunciamentos na dramática hora presente. Cientistas, empresários, economistas, líderes classistas, dirigentes religiosos, jornalistas compõem em coro retumbante de vozes que representa, esplendidamente, a consciência cívica da Nação.

*Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)
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