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Futuro do transporte coletivo pós-pandemia

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Crédito: Divulgação

Rubens Lessa*

O isolamento social imposto para conter a disseminação da pandemia do coronavírus tem revelado alguns efeitos positivos no meio ambiente e nas relações interpessoais. Pais e filhos agora têm mais tempo para estar juntos e se conhecerem melhor. Grandes metrópoles sentem os efeitos da redução da emissão de gases poluentes, da falta de congestionamentos e até no número de acidentes de trânsito.

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Mas esse cenário pode se inverter radicalmente no período pós-pandemia. O “novo normal” pode trazer consigo um aumento desenfreado pelo uso do transporte individual em face do coletivo pelo receio de novas contaminações. O setor de transporte coletivo por passageiros, que já vem agonizando durante a pandemia com a redução da demanda, pode estar ameaçado no seu papel primordial de atender a população e garantir o seu direito de ir e vir.

Mas como se darão os deslocamentos após o coronavírus? Em países em que a pandemia se estabilizou e os números de mortes foram reduzidos, tem-se notado a procura cada vez maior por automóveis. É claro, que em muitos desses países, o sistema cicloviário é eficiente e funciona adequadamente para muitos cidadãos. Mas é inviável o uso deste modal para médias e grandes distâncias, sendo o transporte coletivo o mais eficiente neste último caso, principalmente quando entra em debate a necessidade de grande massa da população.

No Brasil, o sistema de transporte público era responsável por transportar diariamente mais de 40 milhões de passageiros e por gerar mais de 1,8 milhão de empregos diretos e indiretos. Só em Minas Gerais são mais de 100 mil. Com a pandemia e as medidas de flexibilização o setor passou a funcionar com 40% da demanda e tem amargado mais de R$ 3 bilhões em prejuízos, colocado em risco a sua sobrevivência.

A discussão sobre as medidas de utilização e permanência do transporte coletivo de passageiros é urgente. Afinal, ele é um direito da população garantido na Constituição. O artigo 30 inciso V da Constituição Federal trata o transporte público como um serviço essencial. A maioria da população do Brasil depende deste transporte para ter acesso aos locais de trabalho, hospitais, supermercados, farmácias, entre outros.

Para se manter no pós-pandemia e atender à população que precisa, o transporte público terá que se reinventar. Ele terá que se readequar às normas sanitárias exigidas mundialmente, como máscaras, equipamentos de proteção individual, distanciamento no interior dos veículos e limite máximo de passageiros para que as viagens possam acontecer com segurança. No entanto, tais medidas, se não forem subsidiadas pelo poder público, provocará perdas ainda mais significativas, afetando duramente as empresas do setor.

Uma solução apontada pelo setor passa pela mudança do modelo de financiamento do custeio do transporte público, hoje pago exclusivamente pela população mais pobre. Em muitos países, o governo tem subsidiado os prejuízos das empresas para manter o transporte coletivo operando com qualidade e com um custo acessível para a população de baixa renda.

Para chegar a um senso comum será preciso um amplo debate entre sociedade, poderes público e empresas do setor e exigir novas posturas e decisões que viabilizem a sobrevivência do transporte público, garantindo o deslocamento da população com todos os protocolos de segurança e também a eficiência do setor.

*Diretor da Confederação Nacional de Transportes (CNT), presidente do Conselho do Sest Senat e da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros de Minas Gerais – Fetram

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