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Opinião

Gerações se perdem na ignorância sem a revolução do ensino

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Foto: Fabio Alves / Agencia i7

A pandemia incitou a digitalização da experiência e escancarou as transformações no modo de ser e saber já em curso desde o final do século XX. Ao exigir o uso coletivo da tecnologia como mediadora das relações e do ensino, o isolamento social massificou uma pergunta que nós, educadores, temos feito há algum tempo: quais são as melhores formas de promover o conhecimento nesse mundo de saberes fluidos e em metamorfose permanente?

Pensando como reitora, professora e permanente aluna, invoco o conhecimento disruptivo como âmago das minhas reflexões. Precisamos encarar que os novos meios de aprender reivindicam a transversalidade. Felizmente, nas últimas quatro décadas a pedagogia integrou a subjetividade, as interações humanas e a lógica digital na construção de uma nova forma de conhecimento.

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O jeito de apreender o mundo é via experiência e o conteúdo é multidisciplinar, digital e, paradoxalmente, inclui os afetos. Parece simples, mas é um desafio imenso para toda a sociedade. Em meio a tantas possibilidades, como selecionar as melhores tendências de ensino agora impactadas pelo contexto pandêmico? Compartilho algumas metodologias que considero eficientes para o hoje que se apresenta.

Prática- A prática como base metodológica do ensino não é novidade. Mas ganhou destaque e nova roupagem por ser peça-chave da inovação. No universo da aceleração, colocar a mão na massa enquanto se embasa na teoria resulta na transformação de estudantes em empreendedores participantes de negócios de alto impacto econômico. E deve ser regra.

No mercado de trabalho de hoje, experimentar o conhecimento é sinônimo de formar-se. Vale ressaltar que ensinar também é aprender, já que a relação docente-aluno também está em transição. Em um cenário ideal, o encontro viabiliza a relação mentor-aprendiz, cabendo a alternância de papéis. Aprender com a existência digital da juventude 4.0 é uma maneira inovadora de (re)formar o professor. Essa é uma das riquezas do processo educativo contemporâneo que tenho provado em minha carreira permanentemente.

Parcerias- A construção de parcerias de escolas e faculdades com empresas é outra atualização de formato pedagógico promissor. Provocar alunos a desenvolverem projetos e entregarem produtos reais ajuda a identificar possíveis talentos e ainda fortalece a relação dos estudantes com o mercado. Construir e alimentar uma rede de relacionamentos estratégica e ascendente é legado para toda a carreira.

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AI e EI- Há ainda programas de ensino híbrido que primam pelo conhecimento técnico e pela Inteligência Artificial (AI) da mesma forma que fortalecem a autoestima, a solução de problemas, a empatia, a resiliência e outros aprendizados da Inteligência Emocional (EI), desejáveis a profissionais e preciosos para crescimento pessoal. 

No inovador formato de educação Global (conhecimento global de aplicação local) a oferta de expertise para pensar no macro como meio de executar o micro. Uma grade curricular que disponibiliza conteúdos, práticas e experiências com vista em identificar e desenvolver as potencialidades de cada um é um incremento que considero interessantíssimo no escopo educativo.

Então, existe uma metodologia mais adequada?

Acredito que muitas. Entretanto, alerto que antes de definir um método é preciso abrir-se para experiência. Entender o novo arcabouço que compõe o aprendizado é o melhor começo. Pensar a educação como exercício social e não apenas como um modo, amplia as possibilidades de acerto. E aceitar que toda forma de ensinar está em constante transformação porque se trata de um fenômeno social e uma urgência coletiva.

E, dessa forma, todos devem comprometer-se com uma revolução do ensino que acontece a cada dia. Esse é o caminho mais eficaz para não perdermos gerações para a ignorância. Estou certa de que apesar da instabilidade generalizada que assola o mundo por causa do Novo Coronavírus o povo brasileiro conseguirá colocar em prática a renovação do conhecimento.

* Sobre o autor: Reitora da Universidade SKEMA Business School Brasil, doutora em Ciências de Gestão pela Universidade Caen Basse Normandie
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