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Opinião

Nascer ao amanhecer e Morrer ao anoitecer

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TILDEN SANTIAGO *

O caminho da História é feito de luzes e trevas. Ora o Sol Nascente o ilumina, ora as Trevas da noite o cobrem. É que Luzes e Trevas fazem parte da História das Nações e dos Povos de todos os tempos e lugares, como de cada Indivíduo vivente e mortal.

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Meu acupunturista Leonardo Costa, que viveu na China, transpira sabedoria oriental existencial, além de saber aplicar as agulhas: “É preciso nascer ao amanhecer e morrer ao anoitecer, se quisermos viver felizes, sem ansiedades”.

Yeshua de Nazaré prolonga a sabedoria chinesa com a Divina: “A cada dia, basta a sua preocupação”. E a Nicodemos ensinou que é preciso saber renascer (como o Sol Nascente) (João,3). Nicodemos é aquele membro do Sinédrio, que, por medo dos judeus, falava com o Messias só à noite. Junto com José de Arimatéia, que levou o nome de Jesus às Ilhas Britânicas, hoje Igreja Anglicana, ambos solicitaram a Pilatos o cadáver do Messias. Desceram o corpo da cruz e deram um sepultamento digno, num túmulo novo cavado na rocha.

E a Páscoa é tudo isso. O mistério da Luz e das Trevas durante a Paixão e a Cruz. Mas, atenção, tudo termina com as Luzes, com o sepulcro vazio e a Ressurreição do corpo de Yeshua, o Pobre de Nazaré, prenúncio da restauração do Povo dos Pobres, também sofredores na visão do profeta Isaías.

Já estamos celebrando a Páscoa, que começa com o Carnaval e vai até o Domingo da Ressurreição.

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A Páscoa é a maior festa de matriz judaico-cristã. Ela nasceu na Libertação do Povo Judeu, quando Adonai o libertou sob a liderança de Moisés.

Daí por diante, todos os grandes líderes do Povo Hebreu, a começar por Josué, determinaram a celebração anualmente do Movimento da Libertação do Egito dos Faraós.

Todos os anos, cada família judaica passou a celebrar o Seder, a ceia de Páscoa, na própria casa (não era no Templo, nem nas Sinagogas) comendo o cordeiro pascal e as ervas amargas, numa cerimônia familiar conduzida pelo pai, dando destaque à participação do filho caçula.

Jesus celebrou a Páscoa, dentro do Seder com seus seguidores, os apóstolos e certamente com Madalena, Maria de Nazaré, sua Mãe e outras mulheres que viveram em sua Caravana Salvífica itinerante desde a Galiléia, passando pela Samaria até a subida a Jerusalém, a cidade da Paz, hoje tão disputada por israelenses e palestinos.

O mistério da Páscoa de Jesus se concentra e começa com a Ceia do Pão e do Vinho. Na véspera Jesus enviou dois apóstolos para preparar e dar solenidade à celebração do Seder. Um amigo do mestre ofereceu uma sala grande toda iluminada, com muitas almofadas no segundo andar. O clima era de muita festa e alegria.

O Messias deixou para esta última noite de sua vida na terra ensinamentos especiais: lavou os pés dos apóstolos como um servo, cingido de uma toalha para enxugá-los; destacou como eixo central de sua mensagem, o mandamento do amor; instituiu a consagração sacerdotal e o governar, seja o servidor do último; condenou os donos do poder por exercê-lo com autoritarismo e dominação, ainda querendo passar por benfeitores; determinou que seus discípulos não agissem assim – “quem quiser ser o maior e mandar, seja o servidor do mais humilde”(temos aí claramente a proclamação da “Política como Serviço” – Nova Política, a verdadeira e única, num prenúncio do que vive o mundo de hoje, num sonho de muitos. (Lucas,22).

Na Páscoa de Jesus, ele mesmo é o cordeiro imolado para redenção e restauração da Humanidade, de todas as Nações no fim dos tempos em Jerusalém, onde ele foi sacrificado. Por isso, no final da ceia, Ele se apressa em cantar os salmos com os amigos, descer da grande sala no andar de cima, passar pela Porta das Ovelhas (Babel Hutta, onde este escriba morou durante um ano), atravessar o Vale do Cedron, no rumo do Monte das Oliveiras, onde será capturado e terão início a agonia e a paixão até o Golgota. Quando subir a Via Crucis, na sua oniciência, o pobre de Nazaré saberá e sentirá que seu sacrifício não é um ato isolado, pessoal, mas ele sintetiza no mistério da Encarnação, o caminho do Golgota de toda a humanidade, especialmente dos pobres, dos cansados, fadigados, abandonados, sobrecarregados, menosprezados, perseguidos, doentes e prisioneiros, oprimidos ou excluídos, de todos os que choram na terra, mas que um dia hão de sorrir após a grande tribulação.

É que o caminho da História da Humanidade é, como a Páscoa, feito de Luzes e Trevas, como foi a de Yeshua da Galiléia, feita de Cruz e Sepulcro Vazio.

*Jornalista, embaixador e anglicano

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