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O peso das commodities no seu bolso

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Foto: Ivan Bueno/APPA

Que o Brasil é um dos maiores exportadores de commodities globais, você já sabe. Talvez você não saiba, ou melhor, não se lembre, que nós somos os líderes nas exportações mundiais nos mercados de soja, café, açúcar, laranja, carne bovina e ocupamos o vice na produção de minério de ferro no mundo. Em 2021, estamos vendo mês após mês as nossas exportações crescendo frente as importações. Só para termos noções de grandeza, somando os sete primeiros meses do ano, já acumulamos um superávit fiscal de US$ 44 bilhões – um recorde – muito por conta dos preços desses produtos.

Muitos analistas do mercado estão prevendo um novo superciclo das commodities, conforme o índice CRB – Commodity Research Bureau, um índice que compila os preços das commodities dos mercados mundiais – se aproxima do último pico, em março de 2011. Mesmo chegando próximo às máximas históricas, antes de cravar que estamos em um novo superciclo, é válido dar um passo atrás e entender como eles funcionam.

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Esse fenômeno tende a coincidir com longos períodos de industrialização e modernização e nos ajudam a contar uma história do desenvolvimento das sociedades. Embora os grupos individuais tenham seus próprios padrões de preços, quando agrupados, esses ativos formam longos períodos de tendências conhecidos como os tais “superciclos de commodities”, onde há um padrão reconhecível nos preços. Nesses superciclos os valores persistem com o tempo, o que é diferente de oscilações de curto prazo nesses ativos.

Falando de história, nós passamos no último século, por quatro grandes superciclos que, com a ajuda das pesquisas de Bilge Erten e Jose Antonio Ocampo¹, conseguimos delimitar com certa clareza esses períodos. O primeiro ciclo significativo de commodities, 1899 a 1932, foi puxado pela rápida industrialização e urbanização dos EUA ao final da década de 1890 e se acelerou com a erupção do armamento para a Primeira Guerra Mundial. O segundo ciclo, 1933 a 1961, refletiu o início do rearmamento global antes da Segunda Guerra Mundial, e a reconstrução da Europa e do Japão no pós-guerra. Em sequência a esse forte crescimento econômico do mundo, entramos no terceiro Superciclo, 1962 a 1995, com um forte aumento no preço da energia e dos materiais. Desde 1996 até hoje estamos no quarto e último ciclo, esse motivado pela rápida industrialização da China e pelo boom imobiliário dos EUA nos anos 2000.

O superciclo atual já perdura 25 anos. Os últimos, duraram 33, 29 e 29 anos respectivamente. Como dito, em março de 2011 os preços marcaram um topo, seguido de uma longa queda até abril de 2020. Nesse período, o índice CRB teve uma robusta queda de quase 39%. A pergunta que os economistas se fazem, porém, é se estamos no mesmo superciclo iniciado em 1996, ou se já estamos prontos para dizer que engatamos no próximo. Até julho deste ano, segundo dados do Banco Mundial, os preços das commodities ligadas a energia subiram 233%, os metais tiveram uma alta de 90%, e as commodities agrícolas de 32%, cotadas em dólar.

A fase de forte alta nos preços dentro dos superciclos pode ser explicada por uma defasagem entre oferta e demanda de commodities, por acontecimentos inesperados e persistentes. Enquanto houver essa defasagem os preços se manterão altos. Eventualmente, conforme a oferta adequada se torna disponível e o crescimento da demanda desacelera, o ciclo entra em uma fase de afrouxamento de preços. Um ótimo exemplo foi o último movimento da China, derrubando os preços do minério de ferro.

A Associação de Ferro e Aço da China (Cisa) anunciou o interesse em acelerar o desenvolvimento de exploração de minério de ferro internamente e construção de minas no exterior investidas por empresas chinesas – aumento da oferta. Isso levou a uma derrocada nos preços da commodity nas últimas semanas pois a balança voltou a se ajustar no patamar de maior equilíbrio. Entretanto, a perspectiva de uma forte aceleração macroeconômica nos EUA – e possivelmente também na Europa – impulsionada por pacotes de gastos públicos em “infraestrutura verde” com estímulos chegando a US$1 trilhão, os norte-americanos sinalizam que a demanda não deve arrefecer no curto prazo. Nos resta saber onde será que a balança vai se equilibrar.

Dito tudo isso, o mais importante é tentar entender as consequências do boom de commodities na inflação e no crescimento das economias mundiais, em especial, os países exportadores de commodities como o Brasil. Somos uma das maiores potenciais mundiais na produção e exportação de commodities surfamos muito bem essa onda de preços. Nosso último grande crescimento econômico foi relacionado justamente a esse período, de 2001 até 2011. Desde então, crescemos pouco, em ritmo lerdo e consistência. Nesse último ciclo, perdemos uma ótima oportunidade de realizar reformas estruturais e deixar esse crescimento menos dependente. Será que sempre vamos depender das commodities?

*Analista de Commodities na Vêneto Family Office | [email protected]
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