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Opinião

Restaurar a República

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Tilden Santiago*

Aprendi com o fundador do DIÁRIO DO COMÉRCIO, José Costa, meu mestre em jornalismo número um, a batizar filhos com nomes significativos. Meu primogênito, Vladimir, jornalista e publicitário (em homenagem a Herzog, jornalista e mártir; Vladimir Palmeira, líder em 1968 da Marcha dos Cem Mil, no Rio; Lenin, revolucionário russo em 1917; e o lateral esquerdo da “Democracia Corintiana”). Duas meninas, Alessandra, lembrando Alexandre Vannucchi, cujo assassinato testemunhei no DOI-Codi de São Paulo em 1973, pouco antes de virar jornalista no DC. Médica formada em Cuba, dedica-se hoje aos pobres no Agreste pernambucano. E por fim, a caçulinha Stella, jornalista(em homenagem a minha mãe Maristela e às estrelas do firmamento), brevemente mamãe da Sarah.

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Pelas pesquisas eleitorais, já estou vendo milhares de bebês recebendo na pia batismal e no cartório, em 2018 e 2019, os nomes de Jair e Fernando. Ultimamente, o nome “Fernando” tem povoado, para o bem e para o mal, nosso horizonte político e social. Fernando Collor, FHC, Fernando Pimentel, Fernando Haddad. Democraticamente e pedagogicamente deixo, a cada leitor, a tarefa de analisar o papel político (e histórico ou não?!) de cada Fernando. A própria história os absolverá ou condenará, no fim dos tempos, totalmente ou parcialmente.
Quem é Jair Bolsonaro e quem é Fernando Haddad? Qual razão que está levando milhões de brasileiros a apoiá-los antes mesmo do segundo turno ser definido? Conheci ambos pessoalmente.

Bolsonaro, nos 12 anos que vivi na Câmara Federal (1990 a 2002) nos corredores, comissões e plenário do Congresso Nacional em Brasília. Pouca convivência, mas relação civilizada de adversários políticos (não inimigos). Os embates acalorados do presidenciável do PSL com a deputada Maria do Rosário e representantes de setores diferentes da sociedade, não deixaram uma boa impressão, principalmente junto ao publico feminino. Ele quase nunca subia à tribuna. Era desconhecido da opinião pública. Lutava pouco nas Comissões Especializadas. Nenhum projeto de lei seu chamou a atenção dos colegas deputados. Mostrava obviamente amor às Forcas Armadas e sentimento patriótico. Não escondia suas preocupações com a violência na sociedade e o desastre previsível do sistema político brasileiro, externando um antagonismo profundo ao PSDB, PT e PMDB, responsáveis pelo Brasil então. Pressenti neste momento que, na visão popular, só ele emergeria com possibilidade de enfrentar de verdade a situação política caótica que construímos, inclusive esse escriba, nos 28 anos de PT.

Com Fernando Haddad, experimentei convivência partidária, ele em São Paulo eu em Minas e Brasília. Mas foi como embaixador em Havana (2003-2007) que conheci melhor seu perfil político, intelectual, e filosófico de professor universitário. Como ministro, não perdia as Feiras do Livro, da Educação e da Cultura em Cuba.

Sempre acompanhei ministros, líderes políticos, sindicalistas, religiosos e outras personalidades nas visitas ao comandante Fidel Castro. Com Haddad tive a chance de conversar por três horas com dois políticos e intelectuais, abordando temas os mais diversos e revelando suas inteligências, opções políticas, filosóficas, suas visões de mundo. É bom saber ler os homens além dos livros e jornais. Só não sabia que acompanhava um jovem fadado a candidato a Presidência da República mais tarde.

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Mais importante do que conhecer o perfil de Jair e Fernando, é entender por que as multidões estão optando, segundo todas as pesquisas, pelos dois.

Ouso externar, democraticamente, minha opinião obviamente passível de crítica ou consenso. Bolsonaro aparece aos olhos da plebe, como único candidato capaz de enfrentar a violência na sociedade e a caducidade (eufemismo?) do sistema político brasileiro, na sua quase totalidade, e os responsáveis principais pela crise sistêmica que ele não vacila em citar – PSDB, PT E MDB. Jair é visto dessa maneira, pelo povão, apesar de seu caráter de ultradireita conservador, em dissonância com os mais ditos civilizados do mundo contemporâneo. Dois registros: 1) É impressionante o número de militantes espontâneos de Bolsonaro, sem raízes partidárias e ideologias. 2) Jair e seus seguidores na maioria, não dão importância à esquerda ou direita e seus partidos políticos, às elites e a inegável luta de classes.  Essa percepção é correta ou não caro leitor-eleitor?

Já Haddad, ainda emerge nas pesquisas, como Dilma, um poste visto como possível sucessor de Lula na condução do Brasil, através de um populismo de esquerda, que muitos analisam e admitem como positivo para as grandes massas pobres. Apesar de suas contradições e profundas incongruências de qualquer populismo, que se afaste das bases sociais populares, das tarefas transformadoras da sociedade e se meta na tradicional e sistêmica corrupção do Estado brasileiro. Populismo que mostrou-se eficaz em produzir um mito salvador da pátria, em amenizar a miséria, manter o controle eleitoral dos pobres e em tentar administrar o capitalismo, seja lá como for, sem se preocupar como o fim das utopias e a indignação de alguns.

Só mesmo intelectuais brasileiros – FHC, o príncipe dos sociólogos brasileiros à frente -, conseguem sonhar com uma solução de unidade pelo centro (Marina, Ciro, Alckmin, Amoêdo, Álvaro Dias) que impeça o momento político atual de caminhar para um dos dois radicalismos, simbolizados à esquerda e à direita por Fernando e Jair. Não é o que o que anunciam as pesquisas de opinião. Que os habitantes dos corredores do infinito como o jornalista José Costa e outros inspirem o eleitorado brasileiro, num momento em que a “Velha Política” o empurra para uma polarização irracional e mal intencionada: o populismo enganador de direita ou o populismo não menos enganador de esquerda. O segundo turno por si mesmo não vai iluminar uma nova caminhada do Brasil mas será um alerta para ousarmos conclamar a Nação a abraçar e restaurar a Política, República, o bem comum verdadeiro do povo brasileiro. Único autor de uma Restauração.

* Jornalista

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