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Carlos Wizard Martins*

Enquanto o resto do mundo dedica seus esforços ao combate de um inimigo comum, o novo coronavírus, e suas consequências drásticas na saúde da população e na economia mundial, o Brasil infelizmente vive quatro diferentes guerras, simultaneamente.

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Do ponto de vista da saúde, é um momento preocupante, uma vez que há falta de testagem em massa da população. Em minha opinião, essa é a única forma de saber o número real de casos, a correta localização geográfica dos pacientes e tratamento adequado para cada caso.

Mas somado à essa primeira guerra que afeta todos os países, a pandemia trouxe um impacto instantâneo à economia global, ao limitar a locomoção das pessoas, impor o isolamento social em geral e em algumas cidades o lockdown total. Foi como se o mundo entrasse em modo ‘pause’ e com ele as atividades econômicas da maioria dos países, em especial os setores de serviços, turismo, transportes e entretenimento.

São estas as duas guerras que o mundo todo trava atualmente, mas o Brasil se deu ao luxo de adicionar mais duas crises a este cenário já alarmante: a guerra da informação e a guerra política, sendo que uma está intimamente ligada à outra.

Recentemente correu uma notícia de que caixões estavam sendo enterrados vazios na região Norte do Brasil. Sempre desconfio de teorias de conspiração e conhecendo a realidade, prontamente notei que era fake-news, mas sei que milhares de pessoas acreditaram naquilo, e, pior, disseminaram esse tipo de inverdade que apenas prejudica o combate ao inimigo comum de todos, que é o vírus, uma vez que tira o foco do que realmente importa.




Assim como a fake-news dos caixões vazios, há centenas de outras circulando diariamente nas redes sociais, estimulando desinformação, medo e ansiedade na população. Pergunto: quem se beneficia com isso? Ninguém.

Não bastasse isso, há ainda uma quarta guerra em curso em nosso País: a política. Em um momento em que o Brasil precisa da união de líderes capacitados para a tomada de decisão e de ações efetivas de Estado, o que vemos é um guerra política sem precedentes, sem sentido, uma vez que ela serve apenas para fomentar o ego de alguns e tirar o foco da solução, que é tratar os pacientes, salvar vidas e minimizar seus impactos na economia.

Nesse sentido, faço aqui minha humilde contribuição: em um país de dimensões continentais e com grandes diferenças regionais como o Brasil, as ações de combate ao coronavírus não podem ser uniformes, lineares de norte a sul. Temos que levar em consideração a realidade que vivemos, o estágio do avanço da doença em cada região e as condições de como lidar com a economia local.

Isso significa que não podemos adotar para um município de poucos habitantes no extremo do País a mesma medida que adotamos para grandes cidades. As realidades não são condizentes e as políticas de fechamento de indústria e do comércio ou isolamento social devem ser adequadas a essas distintas realidades.

Os mais de 11 mil brasileiros mortos vítimas do coronavírus são um alerta de que esse é um momento de unir esforços em busca de soluções urgentes e deixar em segundo plano diferenças ideológicas ou partidárias. É um momento de praticar a solidariedade para com todos ao nosso redor, pois essa pandemia deixou toda a população em condição de igualdade. Ela não discrimina rico ou pobre, instruído ou analfabeto, brasileiro ou estrangeiro. A prevenção e preservação da imunidade ainda são as maiores armas de defesa no combate desse mal que afeta todos nós.

*Empresário, professor e escritor, idealizador do projeto Brasil do Bem

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