Parceiros do Futuro

Belo Horizonte inicia jornada até 2050 com planejamento estratégico de longo prazo

Prefeito Álvaro Damião defende visão de longo prazo com base em dados, cenários climáticos e participação popular
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Belo Horizonte inicia jornada até 2050 com planejamento estratégico de longo prazo
Foto: Reprodução Adobe Stock

No início de maio, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), sob a gestão de Álvaro Damião (União Brasil), deu início a um importante passo no planejamento do futuro da capital mineira. Lançou, junto ao secretariado municipal, o Plano Estratégico BH 2050, que vai estabelecer as diretrizes, metas e indicadores para orientar os próximos 25 anos da cidade. A ação está alinhada com iniciativas nacionais, como a Estratégia 2050 do governo federal, e faz parte do movimento de modernização da gestão pública.

O prefeito recebeu a equipe do Diário do Comércio para falar sobre o projeto. Aproveitou a ocasião para abordar alguns temas atuais e defendeu suas execuções também como alicerce do planejamento de longo prazo para a cidade. Na pauta, assuntos como Anel Rodoviário, Plano Diretor, revitalização de bairros tradicionais da Capital, como a Lagoinha, e obras de infraestrutura, todos temas indispensáveis para o presente e para o futuro da cidade.

“Belo Horizonte não pode mais se acomodar em ser a terceira maior capital do Brasil”, diz em referência ao tamanho da região metropolitana. “Senão, ela acaba perdendo o posto. Daqui a pouco vem outra e a RMBH vira a quarta, a quinta e, depois, para retomar o posto de terceira, vai ser difícil”, completa.

E para não apenas manter o posto, mas quem sabe alçar às primeiras posições, Damião defende a análise de cenários e objetivos que projetam a capital mineira e seu entorno nos anos de 2050.

“É importante pensar, por exemplo, nas mudanças climáticas e na mobilidade urbana. Mudanças climáticas, que não incluem apenas as chuvas intensas ou a seca, mas também as doenças respiratórias, que já começam a lotar nossos hospitais hoje; por isso, precisamos começar a trabalhar nessa ampliação agora. Da mesma forma, a mobilidade não trata somente da infraestrutura das cidades e do alargamento das vias, mas de como cada cidadão usa o trânsito e sob quais condições o transporte público é ofertado. E esses investimentos de longo prazo, bem como a conscientização das pessoas, a gente começa a construir agora”, afirma.

É também nessa construção do agora que se baseiam os objetivos mais urgentes e que nortearão o mandato atual. Neste contexto, no último dia 12 de maio, o prefeito apresentou o Plano de Metas 2025-2028 para 10 áreas de resultado, todas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O plano é um instrumento de planejamento e gestão previsto no artigo 108-A da Lei Orgânica do Município, que auxilia na definição das prioridades e ações estratégicas do governo ao longo dos quatro anos de mandato. O documento está alinhado ao Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG) e consolida as propostas de campanha, além de apresentar os principais compromissos da administração municipal com a oferta e melhoria de equipamentos e serviços para a população.

As metas de Belo Horizonte foram divididas nas seguintes áreas:

  • Saúde
  • Educação
  • Proteção Social
  • Segurança Alimentar e Esportes
  • Cultura
  • Segurança
  • Desenvolvimento Econômico e Turismo
  • Mobilidade Urbana
  • Sustentabilidade Ambiental
  • Habitação
  • Urbanização
  • Regulação e Ambiente Urbano
  • Atendimento ao Cidadão e Melhoria da Gestão Pública

“O que quis deixar bem claro para todos os secretários nessa reunião é que as ações emergenciais precisam ser executadas já pensando que aquele resultado, aquela obra tem que atender o futuro da cidade. Não adianta eu fazer uma bacia de contenção para atender o problema da cidade hoje e daqui a dez anos ter que fazer outra, porque foi levado em conta o contexto dos próximos dez anos. Não adianta fazer o BRT da Amazonas sem uma construção conjunta com os municípios da RMBH, já que será o principal corredor de conexão com muitas cidades como Contagem, Betim, Igarapé ou São Joaquim de Bicas”, afirma.

Belo Horizonte ganhou primeiro planejamento estratégico de longo prazo em 2009

Para isso, o político promete olhar também para o passado. É que, conforme o Parceiros do Futuro já mostrou, Belo Horizonte ganhou seu primeiro planejamento estratégico de longo prazo da história recente em 2009. Elaborado através da avaliação de ações atuais e levando em conta os desafios e oportunidades do município no futuro, o documento elencou indicadores, objetivos e compromissos para a melhoria em diversas áreas da cidade. Na época, o instrumento permitiu a identificação e antecipação de tendências no que tange ao desenvolvimento da capital mineira nas décadas seguintes.

Álvaro Damião
Damião: vamos entender o que faz sentido manter | Foto: Diário do Comércio / Isa Cunha

Conforme Damião, as versões elaboradas na gestão de Márcio Lacerda serão revisitadas e poderão ter pontos contemplados no Plano Estratégico BH 2050. “Queremos saber o que foi planejado, o que foi ou não feito e os porquês. O que poderá ser aproveitado vai ser. Buscaremos entender o que faz sentido manter e o que poderá ser melhorado; o que não fizer sentido, será desconsiderado”, resume.

Vale lembrar que os cenários previstos para a Belo Horizonte de 2030 seguem a mesma linha de raciocínio do proposto pelo projeto Parceiros do Futuro para Minas Gerais do amanhã. Prosperidade Real: agregação de valor a partir de um novo modelo de Desenvolvimento Sustentável; Estado Arquipélago: instituições extrativas e poder centralizado; Estado Extrativista: permanência como um Estado produtor de commodities e com um modelo extrativista; e Prosperidade Aparente: instituições inclusivas e acesso amplo.

Uma vez estruturado o plano, a intenção do prefeito é apresentá-lo à comunidade belo-horizontina, inclusive com o planejamento por trás de todos os objetivos, buscando também suas contribuições. “O caminho não é aplicar o que a gente imagina. Vamos discutir com as pessoas a partir do que a gente projetar e vamos aplicar somente o que a sociedade civil entender é o melhor para a cidade”, conclui.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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