Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Brasília – O presidente Jair Bolsonaro fez na sexta-feira (5) afagos públicos aos ministros da Justiça, Sergio Moro, e do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, em entrevista após participar de uma solenidade em Brasília do 196º aniversário da criação do Batalhão do Imperador.

Bolsonaro disse que pretende ir juntamente com Moro no domingo ao Maracanã assistir à final da Copa América de futebol masculino entre Brasil e Peru.

“Se for possível e a segurança me permitir, iremos ao gramado. O povo vai dizer se nós estamos certos ou não”, disse Bolsonaro.

Moro – ex-juiz da Lava Jato – está sob pressão desde que vieram à tona reportagens do site The Intercept Brasil que citam supostos diálogos dele com o chefe da operação pelo Ministério Público Federal, procurador Deltan Dallagnol, em que combinariam ações da investigação.

O ministro da Justiça e o procurador negam irregularidades e não atestam a autenticidade das mensagens que, dizem, teriam sido obtidas por uma invasão criminosa.

O presidente defendeu também a atuação de Heleno, que comanda a pasta responsável pela segurança pessoal do chefe do Executivo e que no início da semana foi alvo de críticas de um dos filhos do presidente, o vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC).

“Estou muito bem com o GSI, com o Heleno. Eu me sinto muito seguro e tranquilo. Não existe segurança 100% infalível. Qualquer presidente que eu tenho notícia sofre de vez em quando algum tipo de atentado. Mas eu confio 100% no general Heleno à frente do GSI”, disse.

No início da semana, no Twitter, Carlos havia dito que não andava com seguranças do GSI porque, embora acredite que a grande maioria dos membros do órgão sejam homens de bem, estão subordinados “a algo que eu não acredito”.

Correções – Bolsonaro afirmou que algumas questões serão corrigidas na votação da reforma da Previdência no plenário da Câmara após a conclusão da tramitação na comissão especial, e destacou que espera a aprovação final da matéria na Casa antes do recesso parlamentar.

“Fizemos a nossa parte, entramos com o projeto. Agora o governo não é absoluto, infalível, algumas questões serão corrigidas com toda a certeza junto ao plenário. O comando agora está com o nosso presidente Rodrigo Maia (presidente da Câmara)”, disse.

“Tenho toda certeza que ele vai, nós vamos conversar, vão trazer o Paulo Guedes para conversar também, que é o homem da economia, trazer demais lideranças e quem quiser conversar de forma bastante civilizada estamos disposto a conversar e temos certeza de que podemos corrigir possíveis – não diria injustiças, equívocos que, por ventura, ocorreram até o momento”, completou, após participar de solenidade do 196º aniversário da criação do Batalhão do Imperador.

Bolsonaro foi questionado se os eventuais equívocos teriam relação com a aposentadoria dos policiais, que têm cobrado o governo por regras mais brandas para a aposentadoria. O presidente respondeu que “tem equívoco, tem mal-entendido, às vezes se exagera”.

“Com a sensibilidade que existe no Parlamento, isso vai ser corrigido. Não acabou a reforma da Previdência”, avaliou.

O presidente afirmou que a proposta será aprovada ainda este mês pela Câmara e destacou a importância de aprovação do texto para a economia do país.

“Todos nós temos consciência de que, se não aprovar essa nova Previdência, a economia vai ter sérios problemas para sobreviver”.
Para Bolsonaro, a sinalização da Previdência é para o mercado externo e interno no “tocante ao investimento”.

“O Brasil tem que fazer seu dever de casa”, afirmou, ao destacar que atualmente há um entendimento entre os Poderes Executivo e Legislativo. (Reuters)