Governador anunciou a criação de 79 leitos de UTI em Minas | Crédito: Gil Leonardi / Imprensa MG

Com o aumento dos números de pacientes e óbitos causados pelo novo coronavírus (Covid-19) e a crescente incidência em cidades interior, o governo do Estado tem adotado uma série de medidas visando conter o avanço da doença e ampliar a capacidade de atendimento da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig).

Entre as ações, a entrega de 500 respiradores adquiridos com recursos compensatórios da Mineradora Samarco pelo rompimento da barragem de Fundão, em Bento Rodrigues, em 2015.

Em pronunciamento virtual, o governador Romeu Zema (Novo) falou que, do total dos equipamentos recebidos, 420 foram adquiridos com recursos da Ação Civil Pública movida pela Advocacia-Geral do Estado (AGE) contra a Samarco e suas controladoras (Vale e BHP). Os 80 restantes foram cedidos pelo governo federal, via Ministério da Saúde.

Ainda conforme o governador, 20 equipamentos serão destinados a hospitais de Governador Valadares (Vale do Aço) e Diamantina (Vale do Jequitinhonha) e os demais ainda serão redistribuídos na rede hospitalar do Estado.

“Dos 420 adquiridos, 300 são mais simples e os demais 120 são os chamados invasivos, mais complexos”, detalhou.

Zema também anunciou a criação de 79 novos leitos de terapia intensiva (UTI) no interior de Minas Gerais. As cidades contempladas são Lavras, Itaúna, Ipatinga, Patrocínio, São Sebastião do Paraíso, Divinópolis, Ouro Preto, João Monlevade, Governador Valadares, Unaí, Teófilo Otoni, Salinas, Taiobeiras, Lagoa da Prata e Conselheiro Lafaiete.

Assim, o Estado passará a contar com 2.964 leitos de UTIs. Especificamente em Belo Horizonte, cujos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) possuem convênios para atendimento de cidades do interior, o governador citou a expansão dos leitos nos hospitais Eduardo de Menezes e o Júlia Kubitschek.

“Hoje nosso número de UTIs ocupadas com portadores ou suspeitos de Covid-19 é de 13,2%. Aumentou consideravelmente desde o início da pandemia, quando tínhamos algo em torno de 5%, mas ainda temos um bom colchão de segurança. Por isso, ainda não é o momento de ativarmos o hospital de campanha construído no Expominas, embora ele esteja apto a funcionar tão logo seja necessário”, garantiu.

Neste sentido, o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, explicou que, neste momento, o governo mineiro considera mais célere e adequado a ampliação dos leitos na rede Fhemig e em demais hospitais já considerados na programação de enfrentamento à pandemia em Minas Gerais.

Conforme ele, a abertura do hospital de campanha está planejada para um cenário de grande estresse assistencial, que deve ser evitado, uma vez que possui menos estrutura de atendimento do que os hospitais tradicionais e demanda a convocação de mais profissionais.

Reuniões – Além disso, Amaral falou que nas últimas semanas a Secretaria de Estado de Saúde iniciou uma série de reuniões virtuais com os gestores de cada macrorregião, no intuito de apresentar dados e conscientizar prefeitos e secretários Municipais de Saúde sobre a flexibilização das medidas de distanciamento social, bem como os orientado a seguir – de maneira formal, ou não – os protocolos sugeridos pelo programa Minas Consciente, em vistas de um maior controle das medidas e consequentemente uma possível redução do número de casos.

“Estamos iniciando o momento de aceleração do número de casos e demandas por internações e, infelizmente, também de óbitos em Minas Gerais. Isso já estava em nossas projeções, mas tomamos medidas mitigadoras e esperamos que entre esta e a próxima semana tenhamos alguma redução destes índices. Não gostaríamos de ter um pico da doença no Estado. Mas, para isso, precisamos que a população também continue colaborando”, alertou.

De acordo com o boletim epidemiológico do dia, o Estado soma 22.024 casos de Covid-19 confirmados, 9.696 em acompanhamento e 11.826 pacientes recuperados. Conforme o secretário, quanto ao acompanhamento de óbitos, são ao todo 1.710 mortes notificadas, das quais 502 confirmaram a doença e 981 tiveram o vírus descartado. Há outras 227 em investigação.

Plano Estadual de Saneamento Básico é lançado

O governador Romeu Zema lançou ontem, na Cidade Administrativa, por videoconferência, a primeira etapa do Plano Estadual de Saneamento Básico (Pesb), que é o Plano de Trabalho. O documento vai nortear as políticas e programas voltados para o setor em Minas Gerais.

Na elaboração do Pesb serão apresentados mais cinco produtos: Diagnóstico Situacional Preliminar, Pré-Conferências Regionais, Diagnóstico Situacional Consolidado e Prognóstico, Conferência Estadual, Versão Preliminar do PESB-MG. A expectativa é de que o plano seja concluído em 18 meses.

Durante seu pronunciamento, Romeu Zema destacou que é muito comum escutar no campo político a máxima de que as obras de saneamento básico são relegadas a segundo plano porque são consideradas obras ocultas, diferentes de estádio, viaduto e demais obras públicas.

“No entanto, essas intervenções proporcionam uma série de benefícios para população. Eu tenho estudado muito sobre o Covid-19. Os estados onde o saneamento é mais desenvolvido apresentam as menores taxas de óbito. Basta observar os números da região Sul e compará-los com os estados do Norte e Nordeste, onde existe uma carência deste serviço essencial”, lembrou.

Universalização – O governador ressaltou que o planejamento vai ao encontro do futuro que se quer, o da universalização do saneamento. “Se o Brasil continuar no mesmo ritmo dos últimos dez anos, levaremos de 30 a 40 anos para alcançarmos os resultados almejados. Por meio do Pesb, estamos dando um passo importante para que nos próximos anos venhamos a ter um estado que seja exemplo também no saneamento”, afirmou.

O Plano de Saneamento Básico está previsto na Lei Federal 11.445/2007. Em Minas Gerais o Plano Estadual de Saneamento Básico foi instituído pela Lei 11.720/1994. No entanto, 25 anos após a publicação da lei, o Estado ainda não contava com seu plano de saneamento.

Em 2019, com a reforma administrativa promovida pela Lei 23.304/2019, a competência para tratar das questões relativas ao saneamento foi transferida para a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Para isso, foi criada uma subsecretaria específica para tratar o tema: a Subsecretaria de Gestão Ambiental e Saneamento (Suges).

“Recebemos um grande desafio. Diversos problemas ambientais estão associados à falta ou à precariedade do saneamento, como a poluição ou contaminação de cursos d’água, o que afeta, inclusive, a qualidade da água captada para o abastecimento humano. A precariedade resulta em doenças, erosão acelerada, assoreamento de cursos d’água, inundações e a consequente perda de vidas”, alertou o secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Germano Vieira.

Segundo o secretário, incorporar o saneamento na pasta do Meio Ambiente dá oportunidade de tratar também as causas, minimizando seus efeitos. “O que se espera é caminhar no sentido de universalizar o acesso aos serviços de saneamento, pois o assunto está intimamente ligado com a saúde pública e com o meio ambiente. Investir em saneamento é investir na qualidade de vida da população”, enfatizou.

Participaram do lançamento a diretora-geral do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), Marília Melo; o diretor-geral da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae-MG), Antônio Claret; o subsecretário de Gestão Ambiental e Saneamento (Suges), Rodrigo Franco, e o diretor-geral da Companhia Brasileira de Projetos e Empreendimentos (Cobrape), Carlos Eduardo Gallego. (Agência Minas)