Na ACMinas, Kalil critica incentivos fiscais e defende renegociação da dívida de Minas
A Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas) recebeu, nesta segunda-feira (14), o candidato ao governo de Minas Gerais Alexandre Kalil (PDT) para debater propostas e desafios relacionados ao desenvolvimento econômico do Estado. Durante o encontro, o ex-prefeito de Belo Horizonte afirmou que uma das prioridades de seu eventual governo será a renegociação da dívida de Minas com a União.
Segundo o candidato, a dívida consome uma parcela expressiva do orçamento mineiro com juros e amortizações e, por isso, seria necessário rever as condições do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) para ampliar a capacidade de investimento em áreas como saúde, segurança e infraestrutura. “Caso contrário, Minas vai ser um estado RH, que só vai pagar a folha de pagamento e mais nada”, pontuou.
Kalil criticou os últimos 12 anos de governo em Minas, citando os ex-governadores Fernando Pimentel (PT) e Romeu Zema (Novo), além do atual governador, Mateus Simões (PSD). “Falta ambição, autoridade e sorte para o governo de Minas. Porque nós demos azar com Pimentel, Zema e Simões governando na sequência. Isso é azar demais”, assinalou o candidato.
Ele classificou o período como de “abandono do Estado” e o contrapôs às gestões anteriores de Aécio Neves. O candidato citou iniciativas como o ProAcesso e o ProHosp, programas implementados durante o governo tucano voltados, respectivamente, à infraestrutura rodoviária e à descentralização da saúde pública.
O candidato também elogiou a construção da Cidade Administrativa, uma iniciativa de Aécio Neves e que, segundo ele, facilita a vida dos prefeitos que conseguem resolver tudo num lugar só. “Que avanço tivermos nos últimos 12 anos? Nenhum”, afirmou.
Para Kalil, a falta de recursos limita a capacidade de atuação do Estado. Nesse contexto, ele citou outra iniciativa adotada durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o Programa de Recuperação Fiscal (Refis), como referência para um modelo de refinanciamento da dívida de Minas com a União.
O próprio Kalil já relembrou publicamente a antiga proximidade com Aécio Neves e os desentendimentos posteriores entre os dois. Os atritos e as críticas públicas ganharam força a partir da eleição municipal de Belo Horizonte, em 2016, quando Kalil venceu a disputa pela prefeitura contra o então candidato João Leite (PSDB). Em 2026, a aproximação política ganhou um novo capítulo com a escolha do ex-deputado federal Carlos Mosconi (PSDB) como candidato a vice-governador na chapa de Kalil.
Outro ponto abordado pelo candidato diante dos diretores da ACMinas foi a política de incentivos fiscais do governo Zema. Kalil questionou o volume previsto para 2027 e relacionou as renúncias à situação fiscal do Estado. “Como que um governo que tem previsão de um déficit de mais de R$ 7 bilhões para 2027 pode conceder uma isenção de R$ 27 bilhões previstos para o ano que vem? A conta não fecha. Isso é conta de criança. Se não arrumar a casa, não tem governo”, disse.
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