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Créditos: Adriano Machado - Reuters

Rio – O ex-presidente Michel Temer foi preso ontem pela Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato por suspeita de desvios de recursos nas obras da usina nuclear Angra 3, sendo apontado pelos investigadores como líder de uma organização criminosa que praticou desvios e recebeu propina, menos de três meses após ter deixado o Palácio de Planalto. Investigações apontam que organização liderada pelo ex-presidente movimentou R$ 1,8 bilhão.

Além de Temer, também foi preso o ex-ministro Moreira Franco, aliado de longa data do ex-presidente e que ocupou os ministérios de Minas e Energia e da Secretaria-Geral da Presidência durante o governo do emedebista. Os dois mandados de prisão foram expedidos pelo juiz da Lava Jato no Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, informou a Justiça Federal do Rio de Janeiro.

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De acordo com a Polícia Federal, foram expedidos no total dez mandados de prisão, sendo oito de prisão preventiva e dois de prisão temporária, além de 26 mandados de busca e apreensão, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, e no Distrito Federal.

“A investigação decorre de elementos colhidos nas Operações Radioatividade, Pripyat e Irmandade deflagradas pela PF anteriormente e, notadamente, em razão de colaboração premiada firmada pela Polícia Federal”, disse a PF em nota.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), as investigações apontaram que foram pagos ou prometidos R$ 1,8 bilhão em propinas à organização criminosa que seria liderada por Temer.

“Após celebração de acordo de colaboração premiada com um dos envolvidos e o aprofundamento das investigações, foi identificado sofisticado esquema criminoso para pagamento de propina”, disse o MPF em comunicado.

Segundo a nota, as investigações também apontaram que o alegado grupo criminoso procurou atuar para atrapalhar as investigações por meio de ações de contrainteligência, de versões combinadas entre suspeitos e de documentos forjados para despistar os investigadores.

O juiz federal Marcelo Bretas afirmou ao decretar a prisão que o crime de lavagem de dinheiro em benefício de Temer e da família ocorreu, principalmente, pela atuação de quatro operadores financeiros, dentre eles o coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo João Baptista Lima Filho, amigo do ex-presidente e também preso nesta quinta-feira.

Segundo Bretas, uma reforma na casa de Maristela Temer, uma das filhas do ex-presidente, foi custeada com recursos do esquema de corrupção e lavagem de dinheiro de um contrato relacionado à construção de Angra 3.

Um grupo de pessoas se concentrou na porta da Superintendência da PF no Rio à espera da chegada de Temer para manifestar apoio ao combate à corrupção, algumas com bandeiras do Brasil.

“Quanto mais político corrupto preso melhor, ainda mais sendo dessa corja do MDB que quebrou o Rio de Janeiro e o Brasil”, disse à Reuters o estoquista Lúcio Silva.

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Presidentes presos – Então vice-presidente da República, Temer assumiu a Presidência em 2016 devido ao impeachment da presidente Dilma Rousseff e deixou o cargo ao final de seu mandato em 1º de janeiro deste ano.

O ex-presidente é alvo de diferentes investigações sobre corrupção. Após deixar o Planalto, denúncias que tramitavam no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Temer foram encaminhadas para a primeira instância, uma vez que ele deixou de ter foro privilegiado.

Durante seu governo, duas denúncias apresentadas pela Procuradoria-Geral da República contra Temer com base em delações de executivos da J&F tiveram a tramitação barrada pela Câmara dos Deputados, em episódios que fizeram o emedebista gastar praticamente todo seu capital político.

Com a prisão de Temer, dois ex-presidentes estão no momento detidos devido à Lava Jato, uma vez que Luiz Inácio Lula da Silva cumpre pena de prisão em Curitiba desde abril do ano passado após condenação também no âmbito da Lava Jato. (Reuters)

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