Eleições Minas 2026: pré-candidatos ao governo do Estado apresentam propostas para os primeiros 100 dias de gestão
O podcast Eleições Minas 2026 realizou uma série de entrevistas com seis pré-candidatos ao governo de Minas. Foram convidados a participar aqueles que aparecem pontuando nas principais pesquisas eleitorais divulgadas. Participaram da série o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT); a professora aposentada, Maria da Consolação (PSOL); o jornalista e advogado, estreante na política, Ben Mendes (Missão); o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB); o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares (PSB); e Mateus Simões (PSD), atual governador do Estado que disputa a reeleição.
O Eleições Minas 2026 foi além de entrevistar os pré-candidatos e colocou em debate questões relevantes para quem produz, investe e empreende no Estado. As mesmas perguntas foram feitas a todos a fim de oferecer ao leitor subsídios para comparar as propostas lado a lado e formar sua própria opinião sobre os desafios e perspectivas para o Estado.
Todos eles responderam à seguinte pergunta: “Qual medida com impacto direto no ambiente de negócios de Minas Gerais seria tomada nos seus primeiros 100 dias de governo?”. Seguem as respostas, em ordem alfabética, para que você, eleitor e eleitora, possa comparar e fazer sua escolha nas eleições de 4 de outubro.
Alexandre Kalil (PDT)
“Minha primeira medida vai ser a criação de um gabinete de gestão de crise. Isso porque o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), como está colocado, não funciona. Minas Gerais passou a ser um estado RH, que só vai pagar folha e mais nada. E nós não vamos ser sustentados pela tragédia de Brumadinho para sempre. Nós vamos propor um plano e sentar à mesa com o governo federal, seja ele qual for, para falar que Minas Gerais não suporta dez anos de Propag. Nós já estamos formando uma equipe para que se resolva o problema da dívida de Minas, não como ela está hoje, mas que ela seja melhorada para que Minas respire nos próximos anos. Nós estamos elaborando uma proposta emergencial e definitiva para que Minas Gerais retorne a investir em infraestrutura, na recuperação de estradas, na melhoria de escolas e hospitais, na saúde. Então esse é o primeiro passo que nós vamos dar antes do plano de governo, que está sendo elaborado por uma equipe muito competente”.
Ben Mendes (Missão)
“Nós precisamos investir na segurança pública para que o Estado seja um estado atraente para os investimentos. A segurança pública abrange justamente todas as pessoas da sociedade, desde o trabalhador que vai até o seu local de trabalho, até mesmo o próprio comerciante, o industrial. Ninguém quer viver em um ambiente onde você não tem certeza se você vai voltar para casa. Então, a prioridade do nosso governo, se formos eleitos, é justamente restaurar a segurança desse estado. Minas tem sido um dos principais estados com problemas relacionados à segurança pública. Nós temos um policiamento defasado, não só a polícia militar, mas a polícia civil, as polícias penais que estão realmente defasadas. Então, nós precisamos de resolver esse gargalo. Em seguida, tem outras questões como, por exemplo, a o transporte. Em Minas Gerais, o produto final tem um alto custo para o empreendedor porque nós temos uma via modal ruim, principalmente o transporte rodoviário, que é o nosso principal meio de transporte, e que encarece o produto final. Então, nós precisamos investir em ferrovias em um modal de transporte que, ao final, vai impactar num menor custo para esse produto final do empresário. Então é preciso investir em segurança e transporte para que o produto saia de uma ponta a outra do Estado com o menor custo possível e com a maior celeridade possível. Essas são as primeiras medidas que precisam ser tomadas para a gente criar um ambiente muito mais competitivo para o empresário mineiro”.
Gabriel Azevedo (MDB)
“Nos 100 primeiros dias de governo, você vai me ver enviando para a Assembleia Legislativa projetos de lei importantes. Um deles, é o que vai criar os governos regionais. Eu quero diminuir muito os cargos comissionados na capital para expandir isso para o interior sem aumentar gastos. É diminuir na capital para valorizar o interior. Por quê? Porque eu fui vereador. Eu conheço o problema no local. Não adianta alguém sentado no Palácio Tiradentes querer resolver o problema que está na ponta e não adianta essa pessoa ficar peregrinando, mudando as capitais de lugar. Quem sabe melhor o problema dali é quem é dali. Então, nós teremos 10 governadores regionais para atender melhor prefeitos e vereadores, para resolver os problemas rápido e melhorar o ambiente de negócios. Também vou enviar para a Assembleia a proposta de criação de duas regiões metropolitanas, a do Triângulo e a da Zona da Mata. Outra questão prioritária é a região metropolitana. A gente precisa organizar os tecidos metropolitanos, é fundamental para fazer a integração na mobilidade. Há 20 anos, São Paulo já tem bilhete único. A região metropolitana de Belo Horizonte não tem. Nessa discussão de escala de trabalho, ninguém coloca uma coisa fundamental para o trabalhador e para a produtividade: gente que fica duas horas no trânsito para ir, duas horas no trânsito para voltar produz mal, descansa pouco, fica pouco tempo com a família, desenvolve Burnout e fica completamente esgotado. Eu preciso pensar no mineiro que está esgotado e garantir bilhete único que melhore a vida das pessoas na mobilidade. Então, nos 100 primeiros dias, nós vamos tomar medidas concretas para melhorar a mobilidade, para garantir mais organização, valorizando o interior e também para a gente compreender, de fato, como é que nós saímos dessa situação de dívida e de uma infraestrutura precária no Estado”.
Jarbas Soares (PSB)
“Nós temos muitas coisas para fazer. O governo atual cumpriu o seu papel, sua missão, ele exauriu. E nós precisamos agora de uma Minas muito diferente. A primeira coisa a ser feita é bater às portas do Palácio do Planalto, conversar com o presidente da República para discutirmos a questão da dívida e do Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), que considero uma medida positiva, porque Minas Gerais passa a ter previsibilidade no pagamento da dívida. No entanto, o Propag foi feito no calor da política. À época, nós acompanhávamos pelo Ministério Público, porque o Ministério Público também é atingido pelo Propag, e eu vi claramente que toda vez que o governador de então, Romeu Zema, afrontava o governo federal, sobretudo a figura do presidente da República, isso contaminava a mesa de conversa. A solução foi buscada e, felizmente naquele período, o presidente do Congresso era um grande mineiro, uma figura extraordinária, o senador Rodrigo Pacheco, que pode então ter uma conversa com o presidente, sobretudo com o Ministério da Fazenda, mas a mesa estava contaminada pela política. Então, muitas coisas que poderiam ser melhores para Minas Gerais, não foram. Então, nós precisamos bater às portas do presidente da República, seja ele quem for eleito, para nós fazermos essa discussão. E o ponto fundamental é que o mineiro não pague juros. Não está certo a União cobrar juros do estado federado. A correção monetária, tudo certo. Agora, juros não é aceitável. Essa dívida chegou a esse valor astronômico e ficou praticamente impagável. Esse problema da dívida está afetando a economia do Estado, está afetando a vida dos mineiros e até o astral de Minas Gerais. Essa é minha primeira prioridade. Um governador tem que se afundar para realmente conhecer a realidade de Minas Gerais, porque a realidade que é divulgada para a população, para a mídia, é de um estado eficiente e do bom gestor, que a economia está muito bem, que há muitos investimentos, que os salários são pagos em dia, que os municípios recebem dia, mas nós sabemos que a realidade é muito diferente”.
Maria da Consolação (PSOL)
“Nos primeiros 100 dias, seria preciso garantir que a Copasa continuasse nas mãos da nossa população, porque água é um direito social, um direito humano, não é mercadoria. Temos que garantir que as servidoras e os servidores públicos sejam valorizados pelo seu trabalho. Hoje, o que nós temos do atual governo é uma terra arrasada, é privatização, são os hospitais completamente abandonados, leilão das escolas, militarização, crimes ambientais. Então, nós temos que fazer esses enfrentamentos. Precisamos, também, implementar um projeto de educação para garantir o direito à educação básica para toda a população. Para se ter uma ideia, nós temos 11 milhões de pessoas com mais de 15 anos, o que equivale a praticamente à metade da população do Estado, que não concluíram a educação básica em Minas Gerais. Temos 1 milhão de pessoas que não sabem ler nem escrever. Isso, em um mundo que vive essa disputa tecnológica, é inaceitável. Entendemos que isso é emergencial porque, para se construir o futuro, você tem que garantir o acesso ao conhecimento e à educação no presente, e só assim será possível ter produção tecnológica em nosso estado. Além disso, outra urgência para ser enfrentada nesses primeiros 100 dias, é a criação de uma secretaria para debater a questão climática. Nós temos que dar uma resposta ao povo mineiro porque essa questão afeta o cotidiano das pessoas”.
Mateus Simões (PSD)
“De alguma forma, os primeiros 100 dias do meu governo aconteceram lá em 2019, quando eu e o governador Romeu Zema iniciamos uma trajetória que começou em 2018, momento em que eu assumi a transição de governo do ex-governador Fernando Pimentel para o governo Romeu Zema. Então, estamos falando de uma evolução. Agora, eu tenho uma visão para Minas Gerais do futuro, que é um próximo passo. Zema, quando assumiu, disse que o primeiro mandato seria dedicado a colocar as finanças em dia, porque isso era importante para economia. Se a gente lembrar, por exemplo, como o comércio estava deprimido no estado por conta do pagamento parcelado dos servidores públicos, a gente entende isso. Eram 450 mil servidores ativos e 250 mil inativos, ou seja, 700 mil famílias que recebiam parcelado em Minas Gerais. Então, pusemos isso em dia, isso foi resolvido no primeiro governo. No segundo mandato do governador Zema, a pauta econômica era a respeito de emprego. Ele assumiu na campanha, o compromisso de garantir que todo mineiro que quisesse trabalhar, pudesse trabalhar. E nós temos hoje o menor índice de desemprego da história de Minas Gerais com menos de 3,8%, segundo menor do país, uma vitória com letra maiúscula. O meu próximo desafio é melhorar a renda média do mineiro. Nós temos hoje uma população empregada muito considerável, mas nós somos ainda a 9ª renda média do país. E isso a gente consegue resolver com infraestrutura, eletricidade, formação técnica. A atração de investimentos a gente já sabe fazer, acho que o governo provou bem isso. Acho que essas são as três etapas para gente chegar na minha proposta, que é uma proposta de aumentar a renda média do mineiro”.
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