Política

Em evento empresarial, Zema defende corte de gastos, reforma do STF e revisão de programas sociais

Durante convenção da Abad, o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência apresentou propostas voltadas ao ajuste fiscal, à reforma administrativa e a mudanças no Supremo Tribunal Federal
Em evento empresarial, Zema defende corte de gastos, reforma do STF e revisão de programas sociais
Foto: Diário do Comércio/ Leonardo Leão

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), apresentou algumas de suas principais propostas durante a Convenção da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) 2026, realizada nessa segunda-feira (8). Entre as prioridades defendidas pelo pré-candidato estão a renovação da política, a redução dos gastos públicos e a implementação de reformas.

Para Zema, o Brasil necessita de um presidente com perfil diferente, disposto a gastar menos do que arrecada. Ele também reforçou sua posição contrária ao PT e afirmou acreditar que grande parte dos pré-candidatos apoiará quem enfrentar o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno.

Quanto aos resultados recentes das pesquisas eleitorais, o ex-governador ressaltou a importância de levantamentos bem fundamentados para conferir maior credibilidade aos dados apresentados. Zema também citou casos em que candidatos apontados como favoritos nas pesquisas acabaram não sendo eleitos e afirmou que, neste momento, a população está com as atenções voltadas para outras questões.

“O brasileiro só irá se atentar a respeito das eleições e analisar os candidatos e suas propostas na véspera [do pleito]”, destacou.

Durante sua participação no evento da Abad, em Atibaia (SP), o pré-candidato afirmou que sua candidatura representa mais um desafio que muitos consideram impossível de ser superado. Ele destacou a diversidade de Minas Gerais, ressaltando que cada região possui características próprias. “Não é um estado fácil e, mesmo assim, fui bem avaliado. Agora estou percorrendo o Brasil mostrando o que fiz e o que quero fazer pelo País”, disse.

Zema citou três objetivos de sua candidatura: promover um choque moral e ético, reduzir os gastos públicos e implementar mudanças na segurança pública. Em relação ao primeiro ponto, o ex-governador afirmou que a política brasileira necessita de um presidente “ficha limpa”. Ele também fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e mencionou o inquérito instaurado contra ele pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

“Não tenho medo de inquérito, meu medo é de gente que está roubando o Brasil e não deixa esse país se desenvolver; isso me incomoda”, declarou.

Proposta de reforma do STF e cenário macroeconômico

Fachada do STF
Foto: Wallace Martins / STF

Entre as propostas apresentadas está uma reforma do STF. A ideia inclui a adoção de idade mínima de 60 anos para candidatos a uma vaga na Corte, o fim das decisões monocráticas e a criação de uma lista tríplice com nomes de pessoas qualificadas para indicação ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.

Segundo ele, essa proposta evitaria casos em que pessoas ligadas ao chefe do Poder Executivo assumem o cargo sem a qualificação necessária. Zema citou como exemplo o ministro Cristiano Zanin, que atuou como advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante os processos relacionados à Operação Lava Jato e foi indicado ao STF em 2023.

Quanto ao cenário macroeconômico, o pré-candidato afirmou que muitos empresários que acreditaram e investiram no País se endividaram e enfrentam dificuldades financeiras. “Acreditar no Brasil faz você quebrar por causa desses juros desenfreados, que são provocados pela ‘gastança’ de Brasília. Isso tem que ficar muito claro”, acrescentou.

Outro ponto mencionado foi o impacto da alta da taxa de juros sobre as famílias brasileiras. Zema afirmou que cerca de 80% dos consumidores tendem a financiar a compra de bens de maior valor. Segundo ele, isso resulta no aumento das prestações e do endividamento e, consequentemente, na redução da renda disponível, enquanto o governo amplia seus gastos.

Na visão do ex-governador, uma das formas de mudar esse cenário é por meio da reforma administrativa, de uma nova reforma previdenciária e da revisão de programas sociais. Ele esclareceu que não pretende acabar com os benefícios sociais, mas combater fraudes nesse tipo de iniciativa e reduzir os impactos que elas geram na oferta de mão de obra.

“Não quero tirar programa de ninguém que precisa, e muita gente precisa, mas um homem de 25 anos que tem até três ofertas de trabalho e fala ‘não’ para todas, esse nós vamos tirar”, afirmou.

* O repórter viajou a convite da Abad

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas