Zema ganha a prerrogativa de atuar junto aos municípios | Crédito: Divulgação

O governador Romeu Zema, decretou na sexta-feira (20), calamidade pública no Estado em função do coronavírus. A determinação só foi viabilizada após a aprovação do decreto de calamidade federal pelo Senado em votação virtual.

Com a medida, o governador possui prerrogativa para atuar junto aos municípios. Romeu Zema estadualizou as ações do governo que valiam em caráter recomendatório e apenas para a região Central, onde foi constatado caso de contágio comunitário – em que o paciente não sabe de quem contraiu o vírus.

A estadualização obriga os municípios a seguirem as regras do governo de Minas. Fica assim proibido o funcionamento do comércio em todas as cidades mineiras. A exceção são os estabelecimentos que vendem produtos ou prestam serviços essenciais, como padarias, supermercados e farmácias.

As escolas também permanecem fechadas, sem aulas. O decreto determina a extensão da medida não apenas para as estaduais, mas as municipais e da rede privada. Equipamentos culturais e eventos oficiais também foram suspensos.

Quanto ao transporte, os ônibus intermunicipais só poderão rodar com metade da capacidade. Aqueles que trafegam dentro das cidades e os rurais, terão que respeitar a capacidade de lotação de passageiros sentados.

O decreto ainda versa sobre o fechamento das fronteiras para o transporte coletivo terrestre. Ou seja, os ônibus e vans de passageiros não poderão entrar e sair do estado. O transporte individual ainda não foi restrito. O transporte de cargas nunca será restringido, de forma a garantir o abastecimento. Já o transporte aéreo é de competência do governo federal.

O decreto será encaminhado para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para confirmação. Porém, já passa a valer a partir da primeira hora desta segunda-feira (23).

“Com essas medidas espero minimizar o avanço da doença em Minas Gerais. Mineiros e mineiras, evitem transitar nas ruas. Fiquem em casa. Não permitam que o coronavírus se alastre. Vamos passar por dias difíceis. Mas conseguiremos nos reerguer. Hoje, minha prioridade são as vidas. Vamos preservá-las!”, afirmou o governador Romeu Zema.

Desde o início da pandemia, o governador Romeu Zema tem adotado medidas para frear o avanço da doença. Decretou situação de calamidade em saúde, suspendeu aulas da rede estadual, fechou equipamentos culturais, cancelou cirurgias eletivas, conseguiu acordo para destinar R$ 5 milhões ao hospital Eduardo de Menezes, dentre outras ações. As equipes do Centro de Operações de Emergência em Saúde (Coes-Minas), instalado pelo Governo, atuam 24 horas no monitoramento da situação no Estado.

Pacote – Na última quinta-feira, o Estado também anunciou um pacote de medidas de restrição de circulação de pessoas para impedir o avanço da doença. A deliberação trouxe, ainda, determinações aos municípios em que há registro de contaminação comunitária – Belo Horizonte, por exemplo -, como a definição para que farmácias e supermercados estabeleçam horário específico para atender pessoas com mais de 60 anos, que fazem parte do grupo com maior risco de complicações pela doença.

O governador também proibiu a realização de eventos e de reuniões de qualquer natureza, de caráter público ou privado, incluindo excursões, cursos presenciais e outros com mais de 30 pessoas. (As informações são da Agência Minas)

Aprovação de Bolsonaro cai ao menor patamar

Brasília – Uma mudança de percepção quanto aos rumos da economia levou a uma queda na aprovação do presidente Jair Bolsonaro para o menor patamar já registrado desde o início do governo, de acordo com pesquisa XP/Ipespe divulgada na sexta-feira (20).

A avaliação ótima/boa do governo caiu de 34% para 30% na comparação com a pesquisa anterior, de 20 de fevereiro, enquanto a avaliação ruim/péssima ficou estável em 36% e a regular passou de 29% para 31%. A avaliação positiva caiu para o menor patamar registrado pela pesquisa desde o início do governo, índice também registrado em setembro de 2019.

A maior alteração, no entanto, aconteceu em relação à política econômica do governo. Há um mês, 47% dos entrevistados consideravam que o governo estava no caminho certo nessa área, enquanto 40% acreditavam que a política econômica estava errada.
Agora, a avaliação se inverteu: 48% acreditam que o caminho da equipe econômica está errado, enquanto 38% avaliam que está no caminho certo. “A alteração na popularidade coincide com uma inversão na percepção sobre a condução da política econômica”, diz a pesquisa.

Também aumentou a percepção de que o governo Bolsonaro é o maior responsável pela situação econômica atual. Em março, 17% acreditam que este governo é o responsável pela situação, enquanto em fevereiro eram 15%. Outros 14% atribuem a fatores externos — eram 13%.

A avaliação do Congresso, que chegou a apenas 9% de ótima/boa em janeiro, alcançou 13% neste mês. Já a avaliação de ruim/péssima continuou em 44%.

Pandemia – A pesquisa trata ainda do impacto do coronavírus na vida dos brasileiros. De fevereiro para março, o medo da epidemia aumentou 20 pontos percentuais. Agora, 70% dos entrevistados dizem ter pouco ou muito medo da pandemia, sendo que 34% dizem ter muito medo.

A avaliação geral do governo no combate ao coronavírus é aprovada por 40% dos entrevistados, mas é o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, quem puxa para cima essa avaliação: 56% de avaliação ótima/boa. (Reuters)